sábado, 16 de abril de 2016

HISTÓRIA DE PONTALINA: “O DIVISOR DE ÁGUAS”


2.1 OS ESPAÇOS E SUAS ESTRUTURAS


“O DIVISOR DE ÁGUAS”





O Prédio de Câmara e Cadeia Pública Municipal mostram bem o divisor de águas da história local. Quando foi executada a obra, houve motivos bem definidos: dar condições a uma futura Câmara que se instalaria no município, o qual já contava com a lei de criação desde 1875, pela resolução 543 de 29 de junho, mas que até a presente data da época, por volta de 1930,não tinha desmembrado do município de Morrinhos.

Quando observamos a estrutura e arquitetura do prédio, temos a noção de quanto o lugar era isolado, com o prédio contendo as mesmas características de construções do Período Colonial (fachadas rústicas, madeira lavrada simples e fachada colonial de abobe), idênticos aos prédios das Casas de Câmara e Cadeia de Santa Cruz, Morrinhos e Pirinópolis.

Como citada anteriormente, Santa Rita do Pontal está membrada em primeiro plano a Santa Cruz de Goiás e após a criação da Vila de Morrinhos passa a fazer parte desta.

O engajamento e planos de alguns membros da comunidade local, para trazer à tona o município, eram evidentes. O pano de fundo dos interesses era em sua maioria a da valorização de suas propriedades e com intuito deste houve a construção para futura emancipação. Com a erguida do prédio da Câmara e Cadeia criavam-se no local ideias de independência municipal e desenvolvimento (lei e política, ordem e progresso). Mesmo que esse fosse de estilo arquitetônico anterior, evidenciando assim o isolamento local que se fazia presente praticamente em três áreas: política, social e religiosa.

Na política: encontrava-se isolada sem organizações partidárias propriamente ditas (partidos políticos) possuindo apenas grupos de interesses definidos e sem expressão dentro do Estado, ligados em sua maioria a elite Morrinhece e essa característica era como um todo no Estado, onde cada município mais forte sugava a oligarquia periférica e sem participação na política nacional, cabendo ao coronelismo local o poder decisivo e institucional. 
Sociedade: mantida por regras de patriarcado, em que o pai, “HOMEM DE PALAVRA”, mantinha seu poderio, deixava mulher e filhos à mercê das relações sociais, sem participação nestas, muitas vezes devido ao atraso cultural proveniente da escassez educacional. 
Religioso: o isolamento religioso faz nascer novos centros de peregrinação e, com isso, surgem novos aglomerados de casa. Sendo assim, com o fã religioso montam-se festas de mesmo cunho. Este fato melhora as relações sociais, dinamiza o intercâmbio e impulsiona as crenças locais. Esse isolamento impulsiona a instituição da construção de espaços necessários à localidade, como é o caso da “cadeia pública municipal”. Pode-se observar que esta era de grande valia e que desde então Santa Rita do Pontal poderá ser comparada a uma vila, mesmo estando membrada a outra(Morrinhos). Esse fato trouxe contribuição ideológica para o movimento, visto que dois anos após o término da construção do prédio, que ocorreu em 1932, o interventor Pedro Ludovico cria o município pelo decreto-lei n° 329, em 04 Agosto de 1935. Esse fato não é um fato isolado, pois sofrera influências da política ludovicana de desenvolvimento.
A política de Pedro Ludovico consistia, sobretudo, em desestruturar as oligarquias locais e dar novos rumos a Goiás, desenvolvendo-o. A transformação decorrente dos anos 30 não se fez necessariamente no campo social, e sim no político. Pedro Ludovico propôs, como o objetivo principal o desenvolvimento do Estado, construir uma nova capital e com isso abrir novas vias de acesso a Goiânia, interligando os novos e antigos municípios ao Estado, fazendo escoar a produção e desenvolvendo-o. Política que já vinha sendo iniciada desde o início do século com a construção da estrada de ferro até Ipameri.
Existem histórias em torno da construção da “cadeia” (como é chamada), mas são histórias de rixas locais entre famílias influentes e que não denotam a real intenção da construção nem sua importância histórica para o local.

As reuniões para a criação do município, no início, não eram realizadas no espaço da Câmara e Cadeia, e sim em Morrinhos. Delas saíram as diretrizes do processo de emancipação. As despesas para a criação do município ficou a cargo do Sr. Onofre Gonçalves de Andrade, visto que era a pessoa mais capacitada economicamente para isso na localidade. Foram gastos, como consta no primeiro protocolo da prefeitura municipal de Santa Rita do Pontal, instituída em 01/01/1936, pelo decreto-lei 329,de 02 de agosto de 1935, um custo total de 2.160$500 (dois contos e cento e sessenta mil e quinhentos reis) que se faz presente no protocolo n°1 da secretaria da prefeitura de Santa Rita do Pontal p.19 de 17 de março de 1936.
Portanto, a vila foi solenemente instalada em 1º de janeiro de 1936, com o nome de Vila de Santa Rita do Pontal. Na época, foi realizada uma grande festa para inauguração desta, como narra a quitação da despesa no protocolo de n°1 da secretaria da prefeitura de Santa Rita do Pontal p46 de 29 de abril de1936.


                                   Protocolo I da Secretaria da Prefeitura de Santa Rita do Pontal. p 46, 1936, sobre                                          despesas  com a inauguração da Vila (festa); mercadorias ao Grupo Escolar Santa                                      Rita do Pontal e pagamento de alisamento e limpeza das ruas  Secretaria da Prefeitura                                   de Santa Rita do Pontal, em 29 de Abril de 1936.

Continuação.

Nesta data o Sr Prefeito Municipal expede portaria n° 23. Autorizando ao Sr Tesoureiro Municipal a efetuar o pagamento do Srs Souza Reis Comp. da importância de 1.091,500 (Réis) proveniente de mercadorias fornecidas por ocasião da inauguração da Vila, debitando no título (dívidas públicas e canções) despesas com inauguração da Vila, colha recibo para arquivo.
Nesta data Sr Prefeito expede portaria n° 24, autorizando o Sr Tesoureiro Municipal a efetuar o pagamento de 18,500 (Réis), aos Srs Souza Reis Comp. por mercadorias fornecidas ao grupo escolar municipal lançando-se no título (Expediente do Grupo Escolar ....
Nesta data Sr Prefeito Municipal expede portaria n° 25, autorizando ao Senhor Tesoureiro Municipal retirar do título Obras Necessárias imprevistas a importância de 182,000 (Réis) para pagamento das despesas feitas com alinhamento e limpeza das ruas, a colocação de mancos conf. folha de pagamento apresentada pelo fiscal municipal.


Na época o município contava com uma área de 50 mil alqueires e com um número de 15 mil habitantes, como registra o protocolo da secretaria da prefeitura de n°1 p84 de 24 de junho de 1936. Não se sabe a veracidade dos dados, pois a prefeitura não contava com uma estrutura para informação de dados deste porte, todavia estes são dados oficiais que nos remetem a algumas sérias indagações. No entanto, os dados estão presentes para serem discutidos pelos próximos pesquisadores.

Em 31 de outubro de 1938, pelo Decreto-lei nº 1233, a Vila de Santa Rita do Pontal foi elevada à categoria de cidade, com a denominação de Pontalina. Até a promulgação de nossa constituição Estadual, em 1947, Pontalina era termo da comarca de Morrinhos, da qual se desmembrou por força do artigo 8º do Ato das Disposições transitórias.

A geografia na qual está localizada a cidade evidencia que o nome pontal, de onde deriva Pontalina, não vem da divisão do município pelos rios Meia ponte e Rio dos Bois (como muitas pessoas da localidade sugerem que seja), mas sim pela geografia da cidade, a qual é circundada em três partes pelos córregos: “Lava-pé”, situado a oeste da cidade; “Lavador” ou “Rol-Bosta”, a leste e “Mateiro”, a sul da cidade. Sendo assim, cria-se uma ponta de terras cercada pelas águas destes córregos. Neste local foi construída a capela, e devido ser este um pontal dá-se o nome de CAPELA SANTA RITA DO PONTAL, pois quando surgiu a capela e o arraial, não havia intenção de criar um município circundado por rios e nem ideia de que esse arraial iria, um dia, tornar-se cidade.

Protocolo I da Secretaria da Prefeitura de Santa Rita do Pontal. p185,186 e187,de1937 sobre limites do município em 1937

Nesta data o Sr Prefeito Municipal, por oficio de n°(não existia numero) marginado responde ao Sr Dr Oscar Campos Junior, [...] Diretor Geral da Fazenda o seguinte: Ilmo Sr respondo a vossa circular n° 9 do passado mês, o seguinte: a) só existe neste município um auto-caminhão para condução de carga etc. b) não existe aqui alugadores de animais e quando o Delegado de Policia tem de fazer diligências toma emprestado ou aluga a razão de 5.000 (Réis) diários por cada animal. c) a distância daqui a Morrinhos é de 72 Khms e a Atolador é de 36. O correio é feito de oito em oito dias à Morrinhos em animais. Aproveito do ensejo para apresentar-vos os protestos de auto estima , consideração e solidariedade. Onofre G. de Andrade. Prefeito Municipal.


... acompanha o mesmo, a descripção aproximada dos limites deste município onde se vê que os limites entre este e o de Bananeiras [Goiatuba] é bastante confuso porquanto antigamente estes limites eram pelos perymetros da fazenda de São João e que posteriormente a entendencia miridou-os pelos ribeirão da Onça separando da mesma fazenda cerca de 600 alqueires e que muito tem contribuído para que os habitantes deste pedaço separado se vejam em serias dificuldades para pagamentos de seus impostos, sendo preciso vencerem longas distâncias para este fim. Reitero os protestos de consideração e solidariedade. 

Limites do município de Santa Rita do Pontal começa em uma ponte que existe no rio meia ponte onde atravessa a linha telegráfica por esta continuando com o distrito de S. Sebastião do Atolador [Cromínia], município de Pouso Alto [Piracanjuba], em uma extensão de oito e meia léguas até o rio dos bois, seguindo por este abaixo com a extensão de vinte e cinco léguas mais ou menos limitando com o município de Palmeiras até bacia do córrego denominado Sucuri, subindo por este até sua cabeceira e dali em rumo a cabeceira do córrego Bom Sucesso, por este acima até aproximar-se a cabeceira do córrego Olhos D’água por este abaixo até a barra do córrego fundo, por este a baixo até a barra do córrego Ressaca por este acima até a sua cabeceira e deste por uma estrada que se dirige ao córrego da onça, e por esta abaixo até a bacia com o rio Meia Ponte, limitando com o município de Bananeiras (Goiatuba), numa extensão aproximada de 18 léguas seguindo o rio Meia Ponte acima até onde teve começo o limite do município, limitando da bacia da onça até a ponte, com o município de Morrinhos uma extensão de 10 léguas em rumo e vinte ditas pelas sinuosidades do referido rio isto aproximadamente. Onofre G. de Andrade. Prefeito municipal. Protocolo I da Secretaria da Prefeitura de Santa Rita do Pontal. p 185, 186 e 187, de 1937 sobre limites do município em 1937.

Texto de autoria: Antonio Henrique Rosa 

HISTÓRIA DE PONTALINA: SANTA RITA DO PONTAL E O DESFECHO DA HISTÓRIA

II - SANTA RITA DO PONTAL:

O DESFECHO DA HISTÓRIA

Santa Rita do Pontal na década de 30

  

“Eu lembro disso aqui, isso aqui tinha umas 60 casas”. (João do Vico, cidadão pontalinense com 87 anos, se referindo a décadas de 20 e 30 em entrevista realizada em 2000)

 A exemplo da grande maioria dos municípios da região Sul de Goiás, Santa Rita do Pontal (Pontalina) tem origens em manifestações religiosas e econômicas. Contudo, acreditar que somente as necessidades religiosas e econômicas, desse povo, motivou seu surgimento no início do século XIX seria precipitado pois, havia o interesse político, quando as autoridades goianas passaram a se preocupar com o sul de Goiás.

O povoamento e a formação dos primeiros núcleos urbanos em Goiás deveram-se principalmente à procura e à exploração de ouro. A decadência, iniciada no século dezoito, e a necessária mudança de atividade econômica da então Capitania, vão levar a população a se ruralizar e a dedicar às atividades agro-postoris [...] “No que se refere à ocupação do território goiano, assim se exprime Palacin: “A decadência da mineração pôs em evidência o que a riqueza do ouro mantivera encoberto até então: o povoamento de Goiás tinha-se antecipado século e meio ou dois séculos ao processo natural de penetração para o interior.” [...] “Assim, a exploração das minas de ouro levou para Goiás um contingente populacional que de outra forma para ali não iria. Contudo, a proximidade com diferentes regiões do País e a existência de vasta área a ser ocupada, fizeram de Goiás uma frente pioneira de migração, a partir da decadência da mineração em Minas Gerais. A região compreendida pelo triângulo mineiro e sul de Goiás recebeu, paulatinamente, um considerável número de mineradores.” (Campos, 1987, p.36)

Antes deste fluxo populacional a região sul de Goiás ficara isolada de povoamento. com pequenos núcleos extrativistas no centro e no norte e grandes extensões sem povoação branca nas demais partes. Muitos fatores contribuíram para tal características, entre eles podemos citar a falta de incentivo por parte do governo tanto da Província quanto do Império e a escassez de verbas por parte da elite provincial interessada quase exclusivamente no ciclo aurio e desconsiderando demais possibilidades econômicas que pudessem via a ser no  Estado idealmente extrativista.  Essa forma de economia Colonial estava enfrentando sérias de dificuldades financeiras já no final do século XVIII, já que findavam o ciclo do ouro e as terras dos “Goya” e eles precisavam se reinventar ir em busca de novas atividades econômicas. Entretanto essa necessidade demudança ma matriz econômica estatal levou a migrar populações integrando partes do estado antes adormecidas. 
Na região de Santa Rita do Pontal a inexistência do metal dourado retardou seu aglomeramento populacional fazendo-o a vir existir somente após a chegada do ciclo pecuário  no início do século XIX.

Entre os anos de 1826 a 1841 foram aparecendo ranchos de palha com demarcações de propriedades pouco definidas, distantes uns dos outros, que davam-se os nomes de Quinhões. Esses  ditos “quinhões” de propriedades surgiram em sistemas de gotejamento, pouco a pouco, dando origem às futuras fazendas denominadas hoje de: 
São Lourenço, de propriedade do Sr. Justiniano José Machado e D. Felicidade Alves de Rezende; 
Paraíso, de propriedade do Sr. João Xavier Ferro; 
São João, de propriedade do Sr. Francisco Dutra Pereira; 
São Bento, de propriedade do Sr. Justo José de Magalhães.

Nestes quinhoes, os maiores e mais expressivos córregos, antes nomeados por vocábulo cristão católico agora nomeá também as propriedades dando uma ideia da dimensão das primeiras propriedades. As causas que deram origem as propriedades e ao aglomerado urbano foram basicamente as mesmas e exerceram grande influência nas ondas migratórias. Todos esse fatores encontrassem intimamente ligados aos fatores econômicos e sociais ocorridos no final do seculo XVIII na capitania de Minas Gerais levou a população a subirem em busca de um sonho de prosperidade. Aos poucos esse sonho ganhou forma e força impulsionado pelo fermento da pecuária trazendo para as terras de Santa Rita grupos de pessoas católicas que por força religiosa começaram a se organizar em torno da Capela que na época não passava de um grande rancho de palha feito para rezar terços.   

A doação do terreno em volta da Capela - Rancho foi realizada no dia 3 de maio de 1841 como cita a escritura, registrada no registro de imóveis de Morrinhos, Lv. 3-A, à fl. 99, sob o nº 1.070, evidenciada também no Registro Geral de Imóveis da comarca de Pontalina “Cartório do 1º Ofício”.


Houve contradições quanto a essa doação de terras efetuada ao patrimônio de Santa Rita do Pontal consequentemente à Igreja Católica Apostólica Romana. Uma vez que a escritura firmada em cartório afirma que o terreno de doação original contém uma lavra de 200 alqueires tendo como donatário o Sr. Justiniano José Machado e sua esposa, D. Felicidade Alves de Rezende. Esse terreno era às voltas da capela erguida nas terras da fazenda São Lourenço. Capela essa que posteriormente foi homenagem à Santa Rita.


“... há uma igreja muito velha e pequena de três naves separadas com colunas de aroeira lavrada sem forro. O presbítero é assoalhado e forrado e contém um altar de madeira. Possui a capela uma sacristia pequena. As alfaias e paramentos que são poucos, são guardados por uma família de bom nome, que zela da igreja, escolhida por meu antecessor Padre Nestor Arzola Cavalcante Maranhão, vigário de Buriti Alegre à quem a capela de Pontalina esteve adida nestes últimos dois anos. Em a nave principal há uns dez bancos pobres e velhos. Um sino colocado na parte de cima da fachada da igreja, está ainda bem conservado. Atrás da igreja (matriz) no mesmo quarteirão, dando costas para a mesma, estão os alicerces da nova matriz. Foi ela começada no ano de mil novecentos e quarenta e nove, sendo então vigário de Morrinhos a quem pertencia a capela de Santa Rita, o Resmo. Pe. Osvaldo Basellato. Na parte rural existem três capelas a saber: Nossa Senhora da Guia, da localidade de Dois Irmãos, São Vicente de Paulo de Vicentinópolis, e uma na cidade de Aloândia. Todas elas se acham ligadas a Pontalina por estradas municipais, onde transitam automóveis. ...” (Livro Tombo da Paróquia Santa Rita de Cássia em Pontalina escrita em 30 de julho de 1954 pelo Padre Ângelo

Dall’Ara – Vigário)


Sendo assim, moradores locais citam que o Sr. Justo José Magalhães, tendo membros de sua família em estado enfermo, teria feito uma promessa a Santa Rita, a qual teria lhe ouvido. Segundos contam esse fato levou-o a doar as terras a Santa, mas como as terras pertencentes a ele não eram de localidade onde estava erguida a capela, resolveram então fazer uma permuta com o Sr. Justiniano José Machado, proprietário das terras onde estava erguida a capela.


“... A doação do terreno foi feita pelo Justo José Magalhães, que devido suas terras serem acidentadas, fez permuta com Justiniano José Machado e doou terras na fazenda São Lourenço para a Santa . . .” (entrevista feita com D. Maria José Pereira em 19/05/2000 hoje com 83 anos, moradora da cidade de Pontalina)


Tudo faz crer que o espirito religioso daquele povo fundamentou a doação da capela sendo erguida para suprir este sentimento místico-religioso, entre 1826-1841. Esse fato da “permutagem” faz criar um dilema na história que não será de fácil resolução, quem seria o doador?
  
A promessa era do Sr. Justo José Magalhães e as terras doadas do Sr. Justiniano José Machado. Moradores antigos argumenta que devido a fatores econômicos e geográficos (as terras pertencentes ao Sr. Justo José Magalhães estavam situadas na região hoje chamada São João, região muito acidentada) e, para evitar burocracia, a doação foi feita diretamente. O Sr. Justiniano José Machado teria transferido as terras diretamente ao patrimônio de Santa Rita e o Sr. Justo José Magalhães teria permutado terras na fazenda São João em troca da doação das terras da fazenda São Lourenço.

Durante todo o século XIX e início do XX, Santa Rita do Pontal viu-se expandindo paulatinamente. A distância do arraial com a vila bela de Morrinhos, o espírito místico e o poder que sempre foi monopolizado por poucos, fez-se naquele momento a evidência histórica, pois uma vez edificada a capela e as terras doadas à Igreja, começou-se o aglomerado de casas em torno da mesma.

“O arraial de Santa Rita do Pontal teve um crescimento gradativo e contínuo, consolidando-se como um significado aglomerado humano, economicamente estável. O desenvolvimento da Vila de Santa Rita do Pontal, que aquela altura já desfrutava de certa importância política, originou a Resolução nº 534, de 29 de julho de 1875, elevando-a à categoria de Distrito, de Vila Bela de Morrinhos. 60 anos se passaram e o Distrito de Santa Rita do Pontal continuou crescendo e ganhando importância econômica e política. Nesse período, à partir de 1922, o Brasil viveu conturbados momentos, experimentando movimentos revolucionários que culminaram com a Revolução de 1930 que levou o caudilho gaúcho Getúlio Vargas ao poder. Como é natural, o Estado de Goiás também sofreu as conseqüências dessas convulsões históricas. No governo do Estado se encontrava, vindo no bojo da Revolução de 30, o Dr. Pedro Ludovico Teixeira (médico) que, em 02 de agosto de 1935 baixou o Decreto-Lei nº 329, publicado no Correio Oficial do dia 04 do mesmo mês, elevando o Distrito de Santa Rita do Pontal à categoria de municípioDia 17 de dezembro de 1935, o Governador Pedro Ludovico Teixeira baixou o Decreto-Lei nº 497, nomeando o primeiro Prefeito Municipal e os componentes da primeira Câmara de Vereadores do município de Santa Rita do Pontal, que foram empossados dis 1º de janeiro de 1936, quando se instalou oficialmente o município.” (Reis, Tupynamba dos. NHB. Produções Ltda. Comércio 


Em 31 de outubro de 1938, pelo Decreto-lei nº1233, a Vila de Santa Rita do Pontal foi elevada à categoria de cidade com a denominação de Pontalina, nome porque passou a ser identificado todo o município.


Até a promulgação de nossa Constituição Estadual, em 1947, Pontalina era termo da Comarca de Morrinhos, da qual se desmembrou por força do artigo 8º do Ato das disposições constitucionais transitórias.

Em épocas festivas vinham-se padres, pois não havia vigários fixos na capela, a população aproveitava para promoverem os casamentos, batizados e outras manifestações religiosas. Uma vez que era muito difícil a vinda para o arraial, devido a ausência de estradas e à travessia do Rio Meia Ponte. Tais fatos isolantes fizeram com que a capela fosse cada vez mais requisitada e a aglomeração em torno fosse aumentando, mediante o estabelecimento de aforamento pago, ou não, à Igreja Católica pelos lotes ao entorno foi sendo erguida a ideia de cidade. Sendo assim, casas e povoação tomaram vulto.

Nenhum elemento estrangeiro teve grande parcela de contribuição para o povoamento do município, a não ser bandos errantes de ciganos, um ou outro sírio ou italiano de curta presença. Cabendo somente aos "Pontalineses de pês rachados" o caminhar histórico. 

As décadas do seculo XIX foram se findando e a região ganhando apoio e aspecto de vila, mas isso iria acontecer com maior força nas décadas iniciais do século XX quando o arraial de antes, agora se torna vila, continuando ainda submissa à Vila Bela de Morrinhos. 

Texto de autoria: Antonio Henrique Rosa 

segunda-feira, 14 de março de 2011

Livro sobre a História de Pontalina

 
BASTA CLICAR AQUI  E ESPERAR CARREGAR 

Caro leitor a partir de agora está disponibilizado meu livro sobre a história de Pontalina: SANTA RITA DO PONTAL: RESGATE HISTORICO DE UM POVO. Para quem desejar saber um pouco a historia desta cidade ou talvez aprofundar os estudos históricos sobre a mesma. Lembrado sempre que quem sabe olhar o passado, entende o presente aprendendo a vislumbrar o futuro.   Ninguém vai à frente sem ter certeza por onde pisou.
Espero que gostem.
É que o futuro venha.
Antonio Henrique

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Van Gogh (trecho de uma carta)

Quarto em Arles - van Gogh, outubro de 1888
...Depois, às vezes pode-se até ficar um pouco abstraído, um pouco sonhador. Há quem fique abstraído demais, sonhador demais; talvez seja o que ocorre comigo, mas é minha culpa. Afinal, quem sabe, não havia motivo para isto. Estava abstraído, preocupado, inquieto por uma ou outra razão, mas a gente se refaz! O sonhador às vezes cai num poço, mas dizem que logo ele se reergue.
E o homem abstraído, em compensação, por vezes também tem sua presença de espírito. Às vezes é um personagem que tem sua razão de ser por um ou outro motivo que não distinguimos à primeira vista, ou que, na maioria das vezes, esquecemos involuntariamente. Fulano, que andou agitado como se estivesse num mar tempestuoso, chega enfim ao seu destino: um outro que parecia não valer nada e ser incapaz de exercer qualquer função acaba por encontrar uma e, ativo e capaz de agir, mostra-se totalmente outro do que parecia à primeira vista. Escrevo-lhe um pouco ao acaso o que me vem à pena, ficaria muito contente se de alguma maneira você pudesse ver em mim mais que um vagabundo.
Acaso haverá vagabundos e vagabundos que sejam diferentes? Há quem seja vagabundo por preguiça e fraqueza de caráter, pela indignidade de sua própria natureza: você pode, se achar justo, me tomar por um destes.
Além deste, há um outro vagabundo, o vagabundo que é bom apesar de si, que intimamente é atormentado por um grande desejo de ação, que nada faz porque está impossibilitado de fazê-lo, porque está como que preso por alguma coisa, porque não tem o que lhe é necessário para ser produtivo, porque a fatalidade das circunstâncias o reduz a este ponto, um vagabundo assim nem sempre sabe por si próprio o que poderia fazer, mas por instinto, sente: “No entanto, eu sirvo para algo, sinto em mim uma razão de ser, sei que poderia ser um homem completamente diferente. No que é que eu poderia ser útil, para o que poderia eu servir; existe algo dentro de mim, o que será então?”.
Este é um vagabundo completamente diferente; você pode, se achar justo, tomar-me por um destes.
Um pássaro na gaiola durante a primavera sabe muito bem que existe algo em que ele pode ser bom, sente muito bem que há algo a fazer, mas não pode fazê-lo. O que será? Ele não se lembra muito bem. Tem então vagas lembranças e diz para si mesmo: “Os outros fazem seus ninhos, têm seus filhotes e criam a ninhada”, e então bate com a cabeça nas grades da gaiola. E a gaiola continua ali, e o pássaro fica louco de dor.

Trigal com corvos - Van Gogh (1890) 


“Vejam que vagabundo”, diz um outro pássaro que passa, “esse aí é um tipo de aposentado”. No entanto, o prisioneiro vive, e não morre, nada exteriormente revela o que se passa em seu íntimo, ele está bem, está mais ou menos feliz sob os raios de sol. Mas vem a época da migração. Acesso de melancolia – “mas” dizem as crianças que o criam na gaiola, “afinal ele tem tudo o que precisa”. E ele olha lá fora o céu cheio, carregado de tempestade, e sente em si a revolta contra a fatalidade. “Estou preso, estou preso e não me falta nada, imbecis! Tenho tudo que preciso. Ah! Por bondade, liberdade! ser um pássaro como os outros.”Aquele homem vagabundo assemelha-se a este pássaro vagabundo…
E os homens ficam freqüentemente impossibilitados de fazer algo, prisioneiros de não sei que prisão horrível, horrível, muito horrível...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O Homem e Ele Mesmo

Mãos que se desenham, de Escher

O homem, estando condenado a ser livre, carrega nos ombros o peso do mundo inteiro: é responsável pelo mundo e por si mesmo enquanto modo de ser (...) A responsabilidade absoluta não é resignação: é simples reivindicação lógica das consequências da nossa liberdade. O que acontece comigo acontece por mim (...) Além disso, tudo aquilo que me acontece é meu; deve entender-se, por isso, em primeiro lugar, que estou sempre à altura do que me acontece, enquanto homem, pois aquilo que acontece a um homem por causa de outros homens e por ele mesmo não pode ser senão humano. As mais atrozes situações de guerra, as piores torturas, não criam um estado de coisas inumano; não há situação inumana (...) A situação é minha por ser a imagem da minha livre escolha de mim mesmo.

Jean Paul Sartre, O ser e o nada (Vozes, S. Paulo,s.d.).

domingo, 9 de janeiro de 2011

Madona Sistina de Vassíli Grossman

Madona Sistina - de Rafael [Raffaello Sanzio/1513-14 ]
 
Essa semana, entediado desse aglomerado de coisas que me cercam, resolvi encarar novas possibilidades, não que estas coisas fossem novas, na verdade a mim são bem tradicionais.  Buscava eliminar essa sensação de clausura que cerca os indivíduos quando moram em edifícios.  A mim este dito arranha céus, tão horripilantes, causa fobia. Mas deixemos esse gosto peculiar e busquemos o que interessa. 
Como estava eu dizendo, gosto do frescor de cara nova.  Gritos, aglomerados, Mcdonald, Burg king, Saraiva, adolescentes e barulho, muito barulho.  Bem, caro leitor,  já deu pra perceber do que realmente, eu gosto; nos fim de sábado a tarde ou no domingo tedioso.  Adoro perambular pelo shopping.  Gastar sola de sapato, mesmo sem por a mão no bolso. Não me importa o nome que leva a fachada, tão pouco a classe, e ou classificação,  que o mercado empõem a loja ou ao consumidor.  A mim o que interessa são pessoas. Prefiro gente, que solidão.  E gente feliz; muito embora ache que felicidade não se compra e nem se negocia, todavia, adoro pagar as prestações a ela impostas pelos ditames da modernidade. Vitrine, beleza, essas coisas me fascinam. Não! Não sou consumista. Nem aplaudo o consumir desenfreado. Pelo nemos é  a bandeira que carrego! Antes sim, "me gusta" o novo jeito de se ver a vida. Solta, despojada e acrescentaria também, descompromissada. Claro que nem todos pensam assim. E nem estou passando com o intuito de desembaraçar questões de quem deve e quem não pode.  A intenção é outra.
 Andei, li, fofoquei, tomei milk sheik do bob´s e com a sensação de um formigueiro subindo pelas pernas resolvemos entrar em uma livraria.  Neste local entre catálogos de yoga, livros de culinária ou de arte, filosofia, econômia e moda. Deparei-me com uma edição da Piauí,  dezembro de 2010, abri deslizando os olhos por seus artigos. Parando naquilo que chamava atenção e descartando os demais. Entre pagina sim , artigo não, enquanto meu sobrinho soltava planos em meus desavisados ouvidos. Eu admirava. Claro havia partes  que me eram desinteressantes. E indagações como: como alguém pode escrever isso? Ou nunca perderia meu tempo lendo isso. Flutuavam por meus neurônios.
Numa passada de pagina misturada ao piscar de olhos deparei com ela. Fitei-a. Era majestosa a Madona Sistina. Estranho que eu, um professor de arte de uma pequena cidade no interior de Goiás, nunca a tivesse contemplado. Provavelmente sim, em épocas distantes, mas naquele momento ela me chamou atenção.  Logo a vontade de folhear foi-se pelo ralo do ar condicionado.  Comecei a ler.  O texto magnífico misturou-se a beleza da obra de Rafael.  As entonações dos parágrafos, mesmo os que passavam pelo terror da guerra, era-me de um degustar levemente adocicado; quase um gole de água  gelada em um dia quente e estando o paladar, de seu degustador,  totalmente seco.  A mulher ali retratada  era nossa mãe, nossa irmã, parceira e ao mesmo tempo amante confidente.  Audaz olho em gestos de entrega.  A mãe que se entrega.  O filho que se deixa levar. O texto falava disso. As letras me puxavam aos parágrafos como imã. E estes me levaram ao final da primeira parte sem saber o que me reservava a segunda. E por assim eu fui.
Diminui o fôlego, em determinadas partes, disparei em outras. Admirando a beleza da Madona de Rafael misturada a leveza da análise de Vassíli Grossman. A história de vida do escritor impôs se nos meandres do texto.  Bem sei que muito de sua visão artística também.  No entanto, a arte  finaliza o conjunto. O observador e suas impressões, a obra e sua história. Arte simplismente. Enquanto meus olhos corriam as linhas do texto, minha mente indagava a graduação de sofrimento do vinho das videiras destes dois grandes artistas. Não consegui responder.
  O conjunto levou-me, não só a comprar a revista, como também a imaginar o quanto algumas pessoas tratam de temas universais de uma forma tão simples. Tão despojada. Rafael e Grossman retrataram o existir do humano, suas dores, seus lamentos, alegrias, belezas, fraquezas e humanidade de uma maneira cotidiana quase trivial. Não é um divino metafísico que se mostra, nas duas obras, mas sim o humano que se declara . Ambas obras se entregam ao homem;  questionando o Ser em construção, que se ramifica sobre si mesmo. O medo, o desafio, o enfrentamento, o infinito, o finito tendo por diante o futuro são interpretações humanas. Não pertencem a um deus. O artista as utiliza como via da comunicação com o pueril existir. Nas duas obras, no texto e na figura, percebemos que os deuses emprestaram muito deles aos artistas quando os fizeram.  Dando, à estes, todo oceano de sensações. Entretanto os deuses tiveram piedade, ou covardia , e   entregaram-lhes a chave, para abrir a porta, que passa um de cada vez;  levando fim a essa angustia  solitária que se faz ao existir.
 E os deuses disseram: Crie! Meus filhos. Crie!  E  é com isso que eles vivem. Até hoje.

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