segunda-feira, 9 de novembro de 2009



PLATÃO E O FILME MATRIX

Pensar como Platão, esta seria a melhor forma de responder a pergunta: como Platão enxergava o mundo? A cosmologia chamada clássica foi apresentada por ele em seu livro Timaeus. O Ateniense acreditava que o Criador havia feito o universo de acordo com um plano racional. Por este fato, o universo não seria eterno pois havia sido criado. Neste ponto há uma consonância com Parmenides.

Platão apresenta uma cosmologia que parte da distinção entre o mundo mutável do vir-a-ser e as "Formas" que existiriam de maneira eterna. Ele reconhece que qualquer especulação sobre o vir-a-ser do mundo não pode ser considerada verdadeira, mas isto por uma questão de princípio, e não por falta de evidência. Os problemas da física não podem ser resolvidos por métodos observacionais: tal atividade não passaria de mera "recreação".

A cosmologia de Platônica envolve as Formas puras, as entidades particulares que são modeladas de acordo com as Formas, e uma teleologia, personificada por um demiurgo, o artesão divino, que impõe ordem à matéria. Tal demiurgo não seria onipotente e nem teria criado o mundo.

Já na questão do conhecimento Platão parte do pressuposto que existem dois mundos. O primeiro é constituído por idéias eternas, invisiveis e dotadas de uma existência diferente das coisas concretas. O segundo é constituído por cópias das idéias (coisas sensíveis). Com base neste pressuposto afirmou que os sentidos estão permanentemente a enganar-nos. A verdadeira realidade não nos é dada pelos sentidos, mas só pode ser intuída através da razão, e está no mundo das idéias. Esta teoria das idéias surge em diálogos como Fédon, como um pressuposto aceito pelos vários interlocutores. O homem platônico vive em uma Matrix de sombras, longe do real, restando a ele aceitar ou questionar esta verdade implantada; entretanto somente filosofo - no filme Neo - poderá sair da caverna e questionar o mundo sensível, mudando-o. Mais de uma coisa Platão nos adverte, aquele que escolher sair jamais poderá voltar, é uma ida sem volta.

A dialética para Platão é a essência da filosofia; recai sobre o processo ela, a razão e a discussão, levando progressivamente à descoberta de importantes verdades e do esclarecimento.

Já quanto a Ética Platão, como Sócrates, combate o relativismo moral dos sofistas. Sócrates estava convencido que os conceitos morais se podiam estabelecer racionalmente mediante definições rigorosas. Estas definições seriam depois assumidas como valores morais de validade universal. Platão atribui a estes conceitos éticos-políticos o estatuto de Idéias (Justiça, Bondade, Bem, Beleza, etc), pressupondo destes logo que os mesmos são eternos e estão inscritos na alma de todos os homens. A sua validade é independente das opiniões que cada um tenha dos mesmos. Para Platão a Justiça consiste no perfeito ordenamento das 3 almas e das respectivas virtudes que lhe são próprias, guiadas sempre pela razão. A felicidade consiste neste equilíbrio.

Por fim na política os fundamentos do pensamento político de Platão, decorrem de uma correlação estrutural com as diferentes almas ou partes de uma mesma alma, criando uma organização social ideal (utópica). Para Platão, cada classe social devia apenas dedicar-se à sua função e virtude especifica, só quando isto acontece é que numa sociedade reina a harmonia e a felicidade.

A finalidade do Estado é educar os cidadãos na respectiva virtude, assegurando deste modo a sua felicidade.

Esta é a gnosiologia platônica, o modo como ele via mundo - A matrix - de onde caberá a nós escolher a pílula vermelha ou azul. O conhecimento ou a ignorância. Qual você escolhe?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Arte e Vida na II Guerra

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Nietzsche e os Valores



O homem, dizia Nietzsche, é o criador dos valores(bem, mau, verdade, mentira, pecado), mas esquece sua própria criação e vê neles algo de "transcendente", de "eterno" e "verdadeiro"(vontade dos deuses), quando os valores não são mais do que algo "humano, demasiado humano".

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Oh !! Amarga e Doce Fortuna

Carl Orff: Carmina Burana


Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi
Em Latim

O Fortuna,
Velut Luna
Statu variabilis,
Semper crescis
Aut decrescis;
Vita detestabilis
Nunc obdurat
Et tunc curat
Ludo mentis aciem,
Egestatem,
Potestatem
Dissolvit ut glaciem.

Sors immanis
Et inanis,
Rota tu volubilis
Status malus,
Vana salus
Semper dissolubilis,
Obumbrata
Et velata
Michi quoque niteris;
Nunc per ludum
Dorsum nudum
Fero tui sceleris.
Sors salutis
Et virtutis
Michi nunc contraria
Est affectus
Et defectus
Semper in angaria.
Hac in hora
Sine mora
Corde pulsum tangite;
Quod per sortem
Sternit fortem,
Mecum omnes plangite!

Em Português

Ó Fortuna,
És como a Lua
Mutável,
Sempre aumentas
Ou diminuis;
A detestável vida
Ora oprime
E ora cura
Para brincar com a mente;
Miséria,
Poder,
Ela os funde como gelo.

Sorte imensa
E vazia,
Tu, roda volúvel
És má,
Vã é a felicidade
Sempre dissolúvel,
Nebulosa
E velada
Também a mim contagias;
Agora por brincadeira
O dorso nu
Entrego à tua perversidade.

A sorte na saúde
E virtude
Agora me é contrária.

E tira
Mantendo sempre escravizado
Nesta hora
Sem demora
Tange a corda vibrante;
Porque a sorte
Abate o forte,
Chorai todos comigo!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A HARMONIA DESAFINADA

Per speculum in ænigmate
“Por reflexo em enigma”

Hoje parece que a metafísica perdeu espaço para a ciência, parece que a filosofia tornou-se uma simples epistemologia científica. Será mesmo isso verdade? Toda nossa hera foi forjada com as forças da Revolução Industrial e sua mente filosófica positivista. Observamos também que a filosofia durante o século XIX serviu como “justificativa” aos atos científicos ou mera interpretação de uma “ciência deus”. Para dizer a verdade o homem se esqueceu da Metafísica e pendeu muito as inclinações Kantianas da razão.

Mais e a metafísica? O que é? Ela morreu no século XIX? William James definiu-a muito bem como “apenas um esforço extraordinário obstinado para pensar com clareza”. Ao contrário do que muitos haviam predeterminado, ela não morreu, apenas deu um tempo. A metafísica é um dos alicerces da filosofia; foi ela que indagou aos primeiros filósofos gregos a questão do Ser enquanto Ser. Parmênides foi um de seus precursores, com sua Lei da Contradição do ser, juntamente de Heráclito e sua transitoriedade, foram os dois primeiros a trazer a tona os problemas metafísicos, após estes vieram Platão e depois Aristóteles. O primeiro, procurando integrar o pensamento Heleata ao de Heráclito, criando assim uma conjuntura – uma união dos contrários – entre os dois présocraticos. O segundo – Aristóteles – traduzindo a lógica, e suas novas interpretações sobre o ser. Tudo fazendo parte de um esforço homérico na tentativa de definir o “além do mundo físico”, os “porquês” das coisas, físicas ou não, isto é a Metafísica; tornando-a cognoscível como ciência.

E o conhecer, de que se consiste? Desta questão apresenta-se a “realidade”; e a metafísica foi a primeira a tentar entender esse fato. Por incrível que pareça, em sua miséria, ela tem dado conta do recado, e ao mesmo tempo infernizado a ciência, a qual tenta de todas as formas negá-la, cada vez provando-a. Mas isso não responde nossa pergunta. O que constitui esse espaço que nós denominamos de realidade? Constitui-se de algo incognoscível, e intangível para a ciência. Por que sabemos – ou pensamos saber – do que o real é constituído. O que vemos, sentimos, cheiramos ou ouvimos nos parece sempre ser a realidade pura e nua. Entretanto não é bem assim, na verdade todos esses sentidos não passam de impressões criadas por nossa mente. Nada é o que mostra ser. O real, é mais que aparenta, mais que imagem, mais que essa coisa que se manifesta a minha frente, sólida ou não, ao qual eu posso medir ou calcular. Ai entra à metafísica, na tentativa de entender e evidenciar esse “ponto cego” da ciência.

Sobre essa “cegueira” humana e a incapacidade da ciência, até agora, em decifrá-la nos fala Bertrand Russell em Os problemas da filosofia:

... se qualquer outra pessoa normal entrar em meus aposentos verá as mesmas cadeiras, mesas, livros e papéis que eu vejo, e que a mesa que vejo é a mesma mesa que sinto pressionada contra meu braço. Tudo isso parece tão evidente que nem vale a pena ser mencionado, a não ser em resposta a quem duvide de que conheço alguma coisa. Não obstante, tudo isto pode ser posto em dúvida de um modo razoável, e requer em sua totalidade uma discussão muito cuidadosa antes que possamos estar seguros de que o expressamos de uma forma que é completamente verdadeira. [...] Podemos ver a olho nu as veias da madeira, mas ao mesmo tempo a mesa parece lisa e uniforme. Se a observássemos por intermédio de um microscópio veríamos saliências, relevos e depressões, e todo tipo de irregularidades que são imperceptíveis a olho nu. Qual é a mesa “real”? Temos, naturalmente, a tentação de dizer que a que vemos através do microscópio é mais real. Mas esta impressão mudaria, por sua vez, se utilizássemos um microscópio mais poderoso. Portanto, se não podemos confiar no que vemos a olho nu, por que deveríamos confiar no que vemos por intermédio de um microscópio? Assim, mais uma vez, a confiança inicial que tínhamos nos sentidos nos abandona.

Como estamos vendo, a filosofia nasceu de um esforço metafísico, tentando traduzir o real, dissecá-lo e tirar dele nossas interpretações. Lembrando que toda a Metafísica seguiu sozinha, carregando a filosofia ou se confundindo com ela, por um bom tempo. E ainda hoje ela constitui-se o alicerce fundamental da razão filosófica. A cética ciência não atribuiu em nada de interessante, no tocante a ferramentas interpretativas a metafísica; muito pelo contrario, é a metafísica que busca questionar o papel desta, e de suas descobertas, mostrando que a técnica é as vezes ilusória. Igual são nossas noções de realidade matemática ou de física.

Dos filósofos gregos, já citados acima, passando pelos medeivalistas – Agostinho e Tomas de Aquino - chegando até os modernos – Kant e Hume – percebemos uma tentativa de conciliar ou mesmo interpretar, supervalorizando ou minimizando, a metafísica no jogo filosófico; construindo assim uma noção da gnosiologia do saber. Hora uma fé cega, outra hora uma ciência cética.

Quando os modernos desiludiram-se com o modesto pensamento metafísico, a ciência começou a assumir o papel central da grandiosidade do conhecimento; “amadureceu” supervalorizando a técnica e desvalorizando a razão metafísica.

Nas palavras do filósofo francês Jacques Maritain a Metafísica em nossa época se traduz da seguinte forma:

Poder-se-ia pensar que a metafísica, nas épocas de impotência especulativa, brilha ao menos pela modéstia. Mas a mesma época que lhe ignora a grandeza ignora-lhe também a modéstia. Sua grandeza: ser sabedoria. Sua miséria: ser ciência humana.

Todavia nos dias atuais essa miséria tem sido questionada, tanto a Ciência, quanto a Filosofia, buscam uma reconciliação – basta lembrarmos da física quântica – A pobre ciência esta tão perto do conhecimento e tão longe da sabedoria. É isso que os cientistas vêm percebendo – ou não; que sem metafísica a ciência é cega, em sua técnica e surda em sua melodia. É como se aprender a tocar fosse somente o frisar de dedos sobre as cordas de um violão; desconsiderando outros fatores presentes no “saber tocar”. A ciência se quiser melodiar a música do conhecimento deve – como somente agora começa a dar sinais de que esta acontecendo – aprender que tocar, é muito mais do que somente dedos, cordas, barulho e técnica, têm que ter “Razão de ser”, trazer a música de outro mundo e dar ao som, a melodia divina, e não somente produzir barulho unilateral – como até agora tem feito.

A ciência precisa da filosofia, como a música precisa dos acordes, instrumentos e harmonias. Ambas têm que constituir um “todo” harmonioso. A primeira sozinha não conseguiu nunca entender o vazio ou o nada – nem evidenciá-lo - e a segunda solitária nunca provara suas teorias, somente à união de ambas pode trazer o conhecimento do real. Somente a Filosofia pode dar algumas respostas – mesmos que teóricas – sobre essa inatingível realidade que se constitui o “Nada”.

A Metafísica decifra o “Nada” – de onde tudo deriva - a filosofia constitui a razão – o pensar sobre; e a ciência é a técnica – o fazer-se. Todas têm que permanecer afinadas para que a sinfonia do saber possa tocar sua música universal.


Bibliografia:

Bertrand Russell. Os problemas da filosofia. Trad. Jaimir Conte. Florianópolis: 2005.
MARITAIN, Jacques. Grandeza e Miséria da Metafísica. Disponível em:
. Acesso em: 15/08/2009.
FERRATER MORA, José - Diccionario de Filosofía. 5ª ed. Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1965. 2 volumes [existe uma versão portuguesa abreviada das Publicações Dom Quixote, Lisboa, 4ª ed., 1978].
TAYLOR, R. Metafísica, Rio de Janeiro: Zahar. 1969.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

MADAME BUTTERFLY

Sem querer ser repetitivo, mas já sendo, eu de novo trago um vídeo do youtube. Sempre faço como sinto, esse é meu lema. Ou meu infortúnio. Queria ser diferente... talvez eu nunca seja feliz por me entregar demais aos meus prazeres ou as minhas coisas ... mas do que valeria a vida sem a dor ou o prazer á nos atormentar...
Somos escravos - embora eu não me sinta assim - desses dois senhores e nem sempre nossa pobre vida sai como a gente planeja, quer ou busca. Dai vem decepção, tristeza, medo, incertezas e desilusão.
Porém uma coisa não podemos esqueçer nunca ... que é vivela; seja ela como for...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Icaro

Icaro...
Ah! Sonho de ser livre....
Incondicionalmente livre ...