segunda-feira, 30 de março de 2009



O AMOR DE PLATÃO

Hei Você! Você mesmo que esta lendo estas linhas, responda-me se puderes. Você seria capaz de definir-me o amor? Certamente você me diria que sim, correto? Então eu lhe proporia que me exemplificasse, por diante me daria mil e um exemplos e explicações do amor. Certamente esses conceitos hora viriam carregados de suas experiências próprias, de sua visão de mundo, hora de seus gostos e desejos. Certamente você omitiria algumas formas de amor por conveniência, ou por ignorância, preconceito ou mesmo por ausência na mente de determinadas formas de amar.

Você não foi o único a tentar conceituar o amor, desde tempos idos pessoas buscam definir esse conceito “amor”, poetas o cantam, filósofos o conceituam, escritores dispõem dele para construírem fantásticas historias de homens e mulheres, no entanto, não conseguimos, ate os dias atuais, defini-lo completamente.

Foi Platão um dos primeiros filósofos a construir algo entorno do amor. Foi ele através de seu “O Banquete”, que tenta dar razão a algo que não tem razão. É no decorrer das paginas deste pequeno grande livro,caro(a) colega, que vamos tendo uma compreensão deste tão abstrato, e ao mesmo tempo concreto desejo/sentimento. Platão coloca nas palavras de pessoas como Agaton, Aristodemos, Sócrates, Fedro, Pausânidas, Eriximaco, Aristófanes e Alcibíades o mesmo assunto; todos eles presentes em um banquete na cidade de Atenas, desta reunião saem discursos inflamados, regrados a bons goles de vinho, das mais variadas formas de Eros. Começa com sua suposta genealogia divina e vai passando de boca a boca a sofistica do Eros. Alguns dos presentes no banquete nos fazem enredos das formas de amor, outros nos dão uma noção de ética através dele. Com isso Platão demonstra uma idéia de seus conceitos de amor e de como os gregos viam este sentimento.

O amor para Platão e algo superior, vive no mundo dos homens e no mundo dos deuses. É algo “ligador” de tudo, do qual as pessoas não têm senão algumas impressões do que seja realmente este sentir.

Um dos convidados do distinto banquete fala que os homens no início eram seres duplos chamados de andrógenos (homem/homem, mulher/homem e mulher/mulher) e que estes tentaram uma desastrosa ação contra os deuses sendo logo depois punidos. Os deuses resolvem dividi-los, formando dois seres individuais, disto resultou segundo Platão, a eterna procura por nossa metade; os andrógenos depois de divididos, passaram à existência a procurar sua própria metade. O eterno desejo de falta (saudade), pois, segundo Platão, apenas podemos desejar, caro (a) leitor(a), aquilo que nos falta; não buscamos necessariamente aquilo que já possuímos.

Aqui em Platão encontramos uma tentativa de explicação, através dos mitos, de um sentimento, muito embora não seja uma explicação totalmente mitológica, pois da um enfoque filosófico nestas, Platão retira de Eros (amor) a condição de deus e o torna algo que une, uma espécie de “cola” entre os mundos sensível e o das idéias, algo entre os homens e os deuses ou entre os próprios seres humanos “o intermediário”. O amor como força de união, coaguladora e agrupadora de tudo. Em termos relacionais ele da ao amor conceitos relativos, retira dele o absoluto, e diz ainda que deva ser pensado como fator relativo, pois constituí amor (ligação) de algo a alguma coisa, digo, aquilo que unifica (o cimento) os seres; o amar estabelece relação (o desejo) entre quem ama e o objeto amado.

O amor é um dos maiores bens dos homens, juntamente com a ética, justiça, sabedoria e inteligência, ele não é bom nem necessariamente ou mau em si mesmo explica Platão. Na verdade carissimo(a), Platão relaciona o amor com a verdade; para o ateniense a verdade do amor vai além da força, da forma ou do poder. Quando se ama, independente da maneira deste amor, pretende ser correspondido, ser unificado (ser amado), ou seja, que este sentimento seja verdadeiro (uno). Quando somente um ama não há amor (ligação), mas somente sofrimento (separação).

Platão concebe o amor também como desejo, do algo perdido ou do algo que nunca possuí; objeto que anseio pessoal. Se eu já possuo o objeto, não desejo; e se eu não o desejo, necessariamente não amo; então somente posso amar (buscar) aquilo que eu não tenho. Como vemos o amor nasce de quem ama (busca) em direção ao objeto desse amor (desejo). Mas ele somente sobreviverá se for recíproco (unificador), caso contrário perece retornando sua busca novamente. Então amigo(a) leitor(a) lhe desejo boa procura e bons desejos e que eles sempre os sejam favoráveis.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Revoltosos Sonhos Interrompidos

Um ponto apenas era o que se discernia, se viesse de cima, fixo naquela longa estrada isolada; à medida que se aproximava constatava-se que deveria existir vida na mancha negra, pelos movimentos que dela partia, eram lentos e morosos quase ilegíveis, escorrendo vagarosamente pela imensidão avermelhada da terra, como uma folha seca arrastando-se lentamente, empurrada pela brisa que sopra. Já quem por terra seguisse, o verde de um cerrado triunfante ilhava a visão, com suas arvores tortas distantes uma das outras, sendo que debaixo, ou entre esses espaços, facilmente se encontraria variados tipos de capim disputando com arbustos, grandes ou pequenos, cheios de flores ou frutos, criando a sensação de uma triste palheta suja de variadas cores, esquecida em algum canto pelo ausente pintor; o vazio do nada circundava marcando toda visão numa difícil confusão. Logo, solido visualmente era apenas a estrada, a sumir com suas curvas, cortando a imensidão viezadamente; dificultando mais a percepção visual estava uma quase invisível névoa esvaindo pouco a pouco pelo calor do nascente sol. À medida que se aproximava, notava-se que o ponto movia-se com um ligeiro trotar, que agora, mais próximo, distinguiam-se melhor os dois esguios cavaleiros, de encontro ao vento, lado a lado, balbuciando assuntos inaudíveis. Seus cavalos, produziam movimentos repetitivos e por onde quer que passassem, por aquele chão batido, deixavam marcas na umedecida estrada; uma-a-uma os cascos perfuravam, hora a areia, hora a terra vermelha, limpa e sem vida, trincada, dias antes, pelo calor do sol. Subindo e descendo, causando impressão aos olhos, em um vai e vem, quase invisível dando aparência, a quem olhassem de lado, de tratar-se de uma melancólica pintura impressionista, de imagem leve porém, com grossas pinceladas apaziguante da alma. A seqüência de movimentos produzia sons de toc-toc-toc-toc multiplicados por oito cascos, misturando-se ao canto de invisíveis pássaros. Um pueril, raro efeito de pesados grãos de areia, subia por entre os cavaleiros, levandos a vagar pelo ar, dissolvendo-se por entre as folhagens da beira da estrada; um cheiro inebriante de folha nova, após uma longa chuva noturna de outono, acompanhava-os, por onde que passassem os arrependidos cavaleiros.

“Eta vida doida essa nossa sô” interrompia a solidão do momentâneo silêncio, produzida por um dos corpos ali sentados sobre ricas arreatas; a de um deles, havia desenhos em forma de ‘s’ sem fim, e a do outro, um grosso pelego de couro de carneiro, tornava macio o assentar-se; ambos possuíam estribos de bronze trabalhados e sobre eles belos riscos de nada. Naquele balanço eterno, um dos corpos enquanto falava, indicava a boca o resto de um cigarro de palha, feito na noite anterior, recém aceso . Sua boca e nariz fino eram divididos por um discreto bigode de dezessete anos, agora esfumaçado momentaneamente, colado a uma cara de sono e cansaço. De resto, sobre a cabeça um requintado chapéu úmido, escondia a cabeleira negra cacheada avulsa; debaixo do chapéu, uma gola de camisa de algodão, ressequida pelo calor do corpo, tecida e fiada em casa de mãe; cobria o seu jovem e esguio dorso. “Será que fizemos a coisa certa?” Perguntava ao parceiro de estrada enquanto a conversa continuava, se arrastando solta, para não morrer. Do outro lado, uma mão vagarosamente agarrava algo, procurando não ouvir, já mudando o rumo da conversa, trazendo para a luz do dia um objeto arredondado preso a cintura pela dourada corrente afixada na fivela da calça xadrez de algodão fresco, colido, descaroçado, cardado, fiado e tecido por uma jovem e bonita esposa dias antes. Navegava por sua cabeça, enquanto os pensamentos dissolviam-se em palavras vagas soltas pelo momento; coisas da vida, o quanto tinha sido bom, seu casamento e suas aventuras, a questão dos revoltosos, agora acabada, mas viva em suas lembranças. Falando foi separando o joio do trigo de sua tenra historia de vinte sete anos. Agarrou logo o objeto que buscava no balanço de um amassado paletó de linho branco e continuo olhando o que o objeto revelava. Tudo acontecendo no balançar dos segundos que os ponteiros indicava, dando aos dois solitários cavaleiros, da estrada isolada, o instante exato do acontecido seis horas antes.

Duas almas, léguas de distancia do nada, na imensidão esverdiante do cerrado, com cabeça pesada pedindo perdão pelo ocorrido, cheia de medo e prazer, sentados sobre dois grandes apalusas. Um branco, com longas manchas pretas sobre suas ancas outro com poucas diferenças, mas, com uma imponente crina trançada. Manoel, cuja mãos ainda meio sujas, balbuciava algumas palavras inaudíveis desabafando, tentado justificar o injustificado, às vezes esfregando a cara para limpar a consciência. O que havia dito “eta vida doida essa nossa sô”, Olímpio, estava preso as lembranças das falas de mulher e de vida; coisas que homem não precisa escutar. Sabia que o viver às vezes lhe pregava peças, tipo aquela em que se metera. Com o relógio na mão, agarrando-o com sua força inteira dizendo a si mesmo que sua postura era correta. Seu pensamento passeava por outras terras, estava ansioso por esquecer o ocorrido. O fato como um cheiro indesejado impregnara-se nele, pensou em um banho, lembrando no mesmo instante que se encontrava léguas de casa; desde então passou a estar louco por um rio, queria se lavar; imaginando água limpar consciência. O reflexo do objeto em contato com o sol o chamou atenção, estava em sua mão, e por alguns instante ficou a esfregá-los por entre os dedos, passando de um lado a outro , dando mais brilho ao que já tinha. Abriu-o mais uma vez, não pelas horas, mas pelo conteúdo que ele carregava, preso na tampa interna uma foto lembrara o rosto de quem tanto amava. E por mais alguns minutos o tempo dissolveu na lembrança perdendo seu sentido original.

Um “cobramos nossa dívida...” sai da boca, seguida de varias outras palavras pelo espaço soltas, a quem pudesse ouvir, como que queria dar continuidade a algo que não tinha fim. Tendo pela frente um ouvido cúmplice, procurando ver alguma coisa invisível que o distraísse na vegetação. As horas dissolviam-se por entre cascos de cavalos acompanhados de um longo e tedioso assovio indiferente mudara momentaneamente a direção da conversa vinda de uma das partes. Manoel chegara à conclusão de que não havia nada mais a fazer. Palavras eram inúteis, diferente da noite anterior, em que “eles gritavam como mulheres”, pensou ele, saltando pela boca, “Bando de covardes”. Passando a fio da memória, acontecidos e restos de sonhos impossíveis. “Cê conhecer o Cavaleiro da Esperança?”. Interrompia o silencio momentâneo fazendo brotar um assunto. Deste gesto fluíram instantaneamente as respostas da boca de Olímpio.“Prestes? Ah sim! Era ...” quebrando finalmente o absurdo e teimoso silêncio. Pela cabeça jovem de Manoel caminhavam sonhos que a de Olímpio nunca encontrara pessoalmente. Olímpio achava que Prestes era um bandido, sendo mesmo caso de polícia. O sonho que tivera assim como Manoel tinha os agora era tolice. Coisa de jovem. “Esses comunistas dizem que Sab das coisas mais na verdade não Sab de nada;” eram as palavras que saia da boca de Olímpio, tentado retirar pelas inúteis fala os sonhos de um jovem, que não aceitava de forma alguma as conclusões a que chegara seu companheiro de estrada.

As coisas que Olímpio afirmava, nem de perto, tirava de Manoel a vontade de ingressar na coluna, ou mesmo de conhecer Prestes, porém uma coisa tinha contra sua vontade; Prestes estavam quilômetros de onde eles estavam nunca iria conhecê-lo. Sabia das histórias da coluna por pessoas, que ouviam radio, e contava a ele, ou mesmo por lembrança, anos antes, de terem vistos a coluna. Ele se fazia um verdadeiro investigador perguntando sobre a coluna, bastava alguém dizer que tinha visto a coluna que lá estava Manoel, debulhando perguntas sobre como eram e de onde tinham vindo e... Eram muitos cavaleiros, chegaram galopando pela empoeirada rua do comercio e fecharam um venda, pegaram nela o que precisavam, diziam que pagariam, deixando papeis e promessas sem valor. Mas tudo aquilo não tirava dos retirantes a magia do ideário, nem tão pouco, a audácia de estar sempre conhecendo locais novos, saindo para Manoel do marasmo daquela vida em cidadezinha, alem da honestidade indelével do comunista, intocável em seus pensamentos. “então Mané é por isso que eu não falo no Prestes”. “Não! Olímpo você é que não gosta da idéia de ir embora e deixar a Ana”, a conversa costurava entre sonhos e estocadas, de um lado e de outro, não havia vencedores, isso serviu para ambos esquecerem o tempo perdendo assim noção das horas. Um sabia que o outro não poderia fazer nada; os dois não passavam agora de sonhos mortos. Tanto de um lado quanto do outro. O mais velho não teria prazo pra seus planos de jovem casado e o jovem amigo não poderia ir onde queria, devido a léguas de distância que se encontravam agora de seus lares.
(continua...)

Ética! Está ai uma prática pouco exercitada hoje em dia, seria a ética coisa relativa? Parece que na égide do século XXI, os seguidores de Protágoras estão enterrando seus contemporâneos socráticos e platônicos. Parece que não há mais local para algo holístico no sentido humano. O absoluto perdeu poder para o relativo, tal qual como queria Protágoras “o absoluto é algo relativo”. Isso significaria afirmar que a ética, como algo socrático/platônico, caiu por terra? A ética virou convenção?
Eu aqui penso que relativismo em ética seria quase um individualismo sobre classes, uma superação das vontades de um indivíduo sobre o outro, uma conveniência. Algo caótico sobrepondo a algo antes cosmológico. Em nosso atual momento o relativismo ganha poder liderado pelas mentes de uma sociedade burguesa tapada, corrosiva e ansiosa por beleza de prazeres momentâneos. Parece que o lógico esta de regime, proibido de comer “o absoluto” agora se delicia com o manjar dos deuses do relativo diet consumista. Qual será o resultado disso? O conhecimento perdeu peso. A loucura ganhou forma. A sociedade criou mecanismos á pensarem por ela, "ideologias de insanidades". Não se pensa; pensar é absoluto e consequentimente ilógico. Que ambiguidade grotesca é essa? Imagina pensar ilógico! Tem lógica? Isso tudo é coisa de nosso século. Logo os séculos XIX e XX que nasceram sobre o ar profético das ciências que se anunciava ser o ápice da razão e do conhecimento morreram desiludidos. E o século XXI seria o século de Protágoras? O do relativismo consolidado? Do fabricado e "pensado", do sem fronteiras,da "comunicação global",do sofismo, do homem superior a tudo, do lasser passer?

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