terça-feira, 18 de agosto de 2009

A HARMONIA DESAFINADA

Per speculum in ænigmate
“Por reflexo em enigma”

Hoje parece que a metafísica perdeu espaço para a ciência, parece que a filosofia tornou-se uma simples epistemologia científica. Será mesmo isso verdade? Toda nossa hera foi forjada com as forças da Revolução Industrial e sua mente filosófica positivista. Observamos também que a filosofia durante o século XIX serviu como “justificativa” aos atos científicos ou mera interpretação de uma “ciência deus”. Para dizer a verdade o homem se esqueceu da Metafísica e pendeu muito as inclinações Kantianas da razão.

Mais e a metafísica? O que é? Ela morreu no século XIX? William James definiu-a muito bem como “apenas um esforço extraordinário obstinado para pensar com clareza”. Ao contrário do que muitos haviam predeterminado, ela não morreu, apenas deu um tempo. A metafísica é um dos alicerces da filosofia; foi ela que indagou aos primeiros filósofos gregos a questão do Ser enquanto Ser. Parmênides foi um de seus precursores, com sua Lei da Contradição do ser, juntamente de Heráclito e sua transitoriedade, foram os dois primeiros a trazer a tona os problemas metafísicos, após estes vieram Platão e depois Aristóteles. O primeiro, procurando integrar o pensamento Heleata ao de Heráclito, criando assim uma conjuntura – uma união dos contrários – entre os dois présocraticos. O segundo – Aristóteles – traduzindo a lógica, e suas novas interpretações sobre o ser. Tudo fazendo parte de um esforço homérico na tentativa de definir o “além do mundo físico”, os “porquês” das coisas, físicas ou não, isto é a Metafísica; tornando-a cognoscível como ciência.

E o conhecer, de que se consiste? Desta questão apresenta-se a “realidade”; e a metafísica foi a primeira a tentar entender esse fato. Por incrível que pareça, em sua miséria, ela tem dado conta do recado, e ao mesmo tempo infernizado a ciência, a qual tenta de todas as formas negá-la, cada vez provando-a. Mas isso não responde nossa pergunta. O que constitui esse espaço que nós denominamos de realidade? Constitui-se de algo incognoscível, e intangível para a ciência. Por que sabemos – ou pensamos saber – do que o real é constituído. O que vemos, sentimos, cheiramos ou ouvimos nos parece sempre ser a realidade pura e nua. Entretanto não é bem assim, na verdade todos esses sentidos não passam de impressões criadas por nossa mente. Nada é o que mostra ser. O real, é mais que aparenta, mais que imagem, mais que essa coisa que se manifesta a minha frente, sólida ou não, ao qual eu posso medir ou calcular. Ai entra à metafísica, na tentativa de entender e evidenciar esse “ponto cego” da ciência.

Sobre essa “cegueira” humana e a incapacidade da ciência, até agora, em decifrá-la nos fala Bertrand Russell em Os problemas da filosofia:

... se qualquer outra pessoa normal entrar em meus aposentos verá as mesmas cadeiras, mesas, livros e papéis que eu vejo, e que a mesa que vejo é a mesma mesa que sinto pressionada contra meu braço. Tudo isso parece tão evidente que nem vale a pena ser mencionado, a não ser em resposta a quem duvide de que conheço alguma coisa. Não obstante, tudo isto pode ser posto em dúvida de um modo razoável, e requer em sua totalidade uma discussão muito cuidadosa antes que possamos estar seguros de que o expressamos de uma forma que é completamente verdadeira. [...] Podemos ver a olho nu as veias da madeira, mas ao mesmo tempo a mesa parece lisa e uniforme. Se a observássemos por intermédio de um microscópio veríamos saliências, relevos e depressões, e todo tipo de irregularidades que são imperceptíveis a olho nu. Qual é a mesa “real”? Temos, naturalmente, a tentação de dizer que a que vemos através do microscópio é mais real. Mas esta impressão mudaria, por sua vez, se utilizássemos um microscópio mais poderoso. Portanto, se não podemos confiar no que vemos a olho nu, por que deveríamos confiar no que vemos por intermédio de um microscópio? Assim, mais uma vez, a confiança inicial que tínhamos nos sentidos nos abandona.

Como estamos vendo, a filosofia nasceu de um esforço metafísico, tentando traduzir o real, dissecá-lo e tirar dele nossas interpretações. Lembrando que toda a Metafísica seguiu sozinha, carregando a filosofia ou se confundindo com ela, por um bom tempo. E ainda hoje ela constitui-se o alicerce fundamental da razão filosófica. A cética ciência não atribuiu em nada de interessante, no tocante a ferramentas interpretativas a metafísica; muito pelo contrario, é a metafísica que busca questionar o papel desta, e de suas descobertas, mostrando que a técnica é as vezes ilusória. Igual são nossas noções de realidade matemática ou de física.

Dos filósofos gregos, já citados acima, passando pelos medeivalistas – Agostinho e Tomas de Aquino - chegando até os modernos – Kant e Hume – percebemos uma tentativa de conciliar ou mesmo interpretar, supervalorizando ou minimizando, a metafísica no jogo filosófico; construindo assim uma noção da gnosiologia do saber. Hora uma fé cega, outra hora uma ciência cética.

Quando os modernos desiludiram-se com o modesto pensamento metafísico, a ciência começou a assumir o papel central da grandiosidade do conhecimento; “amadureceu” supervalorizando a técnica e desvalorizando a razão metafísica.

Nas palavras do filósofo francês Jacques Maritain a Metafísica em nossa época se traduz da seguinte forma:

Poder-se-ia pensar que a metafísica, nas épocas de impotência especulativa, brilha ao menos pela modéstia. Mas a mesma época que lhe ignora a grandeza ignora-lhe também a modéstia. Sua grandeza: ser sabedoria. Sua miséria: ser ciência humana.

Todavia nos dias atuais essa miséria tem sido questionada, tanto a Ciência, quanto a Filosofia, buscam uma reconciliação – basta lembrarmos da física quântica – A pobre ciência esta tão perto do conhecimento e tão longe da sabedoria. É isso que os cientistas vêm percebendo – ou não; que sem metafísica a ciência é cega, em sua técnica e surda em sua melodia. É como se aprender a tocar fosse somente o frisar de dedos sobre as cordas de um violão; desconsiderando outros fatores presentes no “saber tocar”. A ciência se quiser melodiar a música do conhecimento deve – como somente agora começa a dar sinais de que esta acontecendo – aprender que tocar, é muito mais do que somente dedos, cordas, barulho e técnica, têm que ter “Razão de ser”, trazer a música de outro mundo e dar ao som, a melodia divina, e não somente produzir barulho unilateral – como até agora tem feito.

A ciência precisa da filosofia, como a música precisa dos acordes, instrumentos e harmonias. Ambas têm que constituir um “todo” harmonioso. A primeira sozinha não conseguiu nunca entender o vazio ou o nada – nem evidenciá-lo - e a segunda solitária nunca provara suas teorias, somente à união de ambas pode trazer o conhecimento do real. Somente a Filosofia pode dar algumas respostas – mesmos que teóricas – sobre essa inatingível realidade que se constitui o “Nada”.

A Metafísica decifra o “Nada” – de onde tudo deriva - a filosofia constitui a razão – o pensar sobre; e a ciência é a técnica – o fazer-se. Todas têm que permanecer afinadas para que a sinfonia do saber possa tocar sua música universal.


Bibliografia:

Bertrand Russell. Os problemas da filosofia. Trad. Jaimir Conte. Florianópolis: 2005.
MARITAIN, Jacques. Grandeza e Miséria da Metafísica. Disponível em:
. Acesso em: 15/08/2009.
FERRATER MORA, José - Diccionario de Filosofía. 5ª ed. Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 1965. 2 volumes [existe uma versão portuguesa abreviada das Publicações Dom Quixote, Lisboa, 4ª ed., 1978].
TAYLOR, R. Metafísica, Rio de Janeiro: Zahar. 1969.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

MADAME BUTTERFLY

Sem querer ser repetitivo, mas já sendo, eu de novo trago um vídeo do youtube. Sempre faço como sinto, esse é meu lema. Ou meu infortúnio. Queria ser diferente... talvez eu nunca seja feliz por me entregar demais aos meus prazeres ou as minhas coisas ... mas do que valeria a vida sem a dor ou o prazer á nos atormentar...
Somos escravos - embora eu não me sinta assim - desses dois senhores e nem sempre nossa pobre vida sai como a gente planeja, quer ou busca. Dai vem decepção, tristeza, medo, incertezas e desilusão.
Porém uma coisa não podemos esqueçer nunca ... que é vivela; seja ela como for...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Icaro

Icaro...
Ah! Sonho de ser livre....
Incondicionalmente livre ...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

E tudo começou pelo nariz...

E tudo começou pelo nariz, queria mudar, afinou e esticou sua ponta. Depois achou melhor mexer no queixo também. Não contente, começou a implicar com sua cor, queria ser claro, branquear - isso dizia as pessoas, mas nunca confirmado por ele - esticou o cabelo. Como um topázio branco cresceu. Achava-se feio. Quando criança não tinha tempo de brincar, sua função era cantar, seu pai não deixou sua voz engrossar. Fabricado o menino queria ser feliz, crescer. Alguns reclamavam de suas idéias, outros diziam “vitiligo”; mas ele, são pela arte, somente cantava de brincadeira. Em suas mudanças mudou a arte da música, em seu espetáculo inventou dança e dançou. Casou, separou, cresceu, filhos vieram - todos brancos. Dinheiro, poder, inveja, acusações, crimes. Tudo porque sua lei era lei de infância sem capitalismo – adolescente sem razão. Hoje voltou a sua origem inicial, tudo que criou era filho da sua cidade, de seu povo, até seus defeitos era história de uma nação “semraçamista” que sonhadora, busca uma nova unidade em si mesmo. Quem de nós pode questioná-lo, dizer que era louco?!... Será que em nós não reina uma loucura insana também? Duas coisas diferenciam-nos dele, a coragem, e a arte. Ousado, inovador, transformador, polêmico, artista. Tudo pela arte de viver arte, sonho de criança no mundo. Como eu queria ter um nariz desse...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O Novo Criando Momento

O Velho Sem Arrependimento




Non, je ne regrette rien/Não me arrependo de nada – tradução de marcos fontinelli

Composição: Michel Vaucaire/Charles Dumont

Non, rien de rien - Não, de forma alguma
Non, je ne regrette rien - Não, eu não me arrependo de nada
Ni le bien quõn m’a fait - Nem o bem que fizeram,
Ni le mal, tout ça m’est bien égal - Nem o mal, tudo é igual


Avec mes souvenirs - Com minhas lembranças
J’ai allumé le feu - Eu alimentei o fogo
Mes chagrins, mes plaisirs - Minhas aflições, meus prazeres
Je n’ai plus besoin d’eux - Eu não preciso mais deles

Balayés mes amours - Varri tudo, meus amores
Avec leurs trémolos - Junto com seus aborrecimentos
Balayers pour toujours - Varri para sempre


Je repars a zero - Eu recomeço do zero
Non, rien de rien - Não, de forma alguma
Non, je ne regrette rien - Não, eu não me arrependo de nada
Ni le bien quõn m’a fait - Nem o bem que fizeram,
Ni le mal, tout ça m’est bien égal - Nem o mal, tudo é igual


Non, rien de rien - Não, de jeito nenhum
Non, je ne regrette rien - Não, eu não me arrependo de nada
Car ma vie, car me joies - Pois minha vida, minha felicidade

Pour aujourd’hui ça commence avec toi - No dia de hoje começam com você

Musicas