segunda-feira, 30 de novembro de 2009

DESCARTES: A DÚVIDA COMO PRINCÍPIO A CERTEZA COMO FIM



Será que eu existo? Se isto constitui uma verdade, qual a prova? No pensamento do Francês René Descartes encontramos a chave, para abrir uma dessas portas, que da luz a esta resposta. Com um dos pai da filosofia moderna, em sua mais sólida forma de construção, tendo como vertente suas duas primeiras meditações, tentaremos aqui dar uma resposta passeando pela filosofia racionalista deste pensador tão influente em nossos dias.
Na Primeira Meditação o pensador adota a dúvida como principio e apresenta critérios para a dúvida: tomar por falso todo o duvidoso; apresentando as razões para esta dúvida: Engano dos sentidos, Composição pela imaginação, Sonho, Loucura, Deus enganador e Gênio maligno. Neste ultimo o Francês evidencia que nenhum pensamento por si mesmo traz garantias de corresponder a algo do mundo. Anuncia o gênio maligno como um ente que coloca na cabeça dele “certezas”, para ele, este pensamentos é bastante evidentes, contudo, falsos. O gênio maligno estaria continuamente trabalhando para criar ilusões. Com isso, Descartes mostrou que somos falíveis, e que devemos ter muito cuidado ao examinar nossos próprios pensamentos pois estes constitui-se de muitas nuances e definições falsas, temos que buscar a verdade em todos os detalhes, para evitar sermos "enganados" pelo gênio maligno.
Já na Segunda Meditação encontramos algo que resiste à dúvida: a frase "Sou" (cogito) que é para o filosofo verdade certeira sempre que dita ou pensada. O argumento do Cogito é utilizado aqui por Descartes na tentativa de fundamentar sua Teoria do Conhecimento. Pensamento este que tem como norte a desconstrução de toda teoria do conhecimento ate então.
Com esse objetivo, Descartes pretende chegar a um fundamento que seja o mais evidente e verdadeiro possível. Para isso, utiliza de um artifício para levar a cabo seu trabalho: o Princípio da dúvida (Duvidoso=falso). Além disso, Descartes almeja unificar o que é primeiro em termos de conhecimento por natureza e para nós (o EU cartesiano). No percorrer de suas Meditações, ele descarta a Sensação externa - o empirismo - como fundamento do conhecimento através do Argumento do Erro dos Sentidos. Rejeita também a Sensação interna utilizando-se do Argumento do Sonho. Desse modo, refuta completamente a tese de Aristóteles de que a sensação é fundamento para o conhecimento. Nega também os pensamentos de Galileu e de outros influentes de seu tempo, através do Argumento do Deus Enganador, quando estes afirmam que a base para o conhecimento está nas verdades matemáticas. E finalmente, Descartes generaliza e dá conta de todos os argumentos anteriores, utilizando-se do Argumento do Gênio Maligno. Até o final da primeira meditação, Descartes se vê em um ceticismo completo negando toda base da construção do conhecimento ate aqueles dias.
Porém, ao iniciar a segunda meditação, Descartes afirma que mesmo que o Gênio Maligno o engane em toda sua tentativa de obter conhecimento, há sempre a certeza do pensamento (cogito). Só há o engano quando há o pensamento. Desse modo, o Argumento do Cogito mostra que é necessário intuir o Pensamento e a Existência de um modo unificado. "Eu penso, eu existo". Após essa intuição, podemos extrair algumas certezas como:
1)Eu sou
2)Eu sou um res cogitans (substância que pensa)
3) O espírito é mais fácil de conhecer do que o corpo
Desse modo, O “EU” é a certeza de minha existência e o “EU” é também a minha única forma de ver o mundo, e este se constrói pelo argumento do Cogito se constitui da máxima importante para a Filosofia pois mostra que o sujeito é uma necessidade do conhecimento - este somente existira se existir conhecimento -, o que me difere dos objetos sólidos a minha volta, ou mesmo dos animais que me cerca, é minha consciência, “meus pensamentos”; Cogito, ergo sum significa "penso, logo existo"; ou ainda Dubito, ergo cogito, ergo sum: "Eu duvido, logo penso, logo existo" o que muda totalmente o jeito de se pensar a Filosofia Moderna ate aqueles dias.
Ass: Antonio Henrique

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Navio Negreiro


Com imagens do filme Amistad, realizado por Steven Spielberg. Escute Tragédia no mar (ou O navio negreiro) de Castro Alves, na voz de Paulo Autran.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

KANT, HEGEL E NIETZSCHE: O ENGATINHAR METAFÍSICO




Conhecer o absoluto, eis ai uma tentativa que engatinha desde os Gregos. Alguns filósofos vêem neste absoluto algo de irreal ou mesmo impossível de ser atingido, outro uma transcendência intocável inspirado na antologia platônica e tem aqueles que imaginam este Ser como uma espécie de "Rainha da Inglaterra" - reina mas não governa - faz tudo mover sem se mover, como queria os aristotélicos.
Kant tinha uma visão diferente, em sua Critica a Razão Pura, para ele o conhecimento esta preso a razão humana, e esta por sua vez foi pautada em valores construídos através da história, e que precisão serem revistos. Sobre Deus, Kant afirma que “ Nada se pode falar da entidade divina, pois se ele existir, ele se situara distante , de maneira superior, do ser humano; qualquer discursos sobre Ele acaba sendo puramente criação humana.” Com isso Kant implanta o chamado criticismo kantiano uma espécie de análise da razão até então super valorizada que vigorava desde os Gregos.
Outros por sua vez restabelecem o divino, recolocando-o no lugar de “fato”, e deixando intocável em seu altar, este é o caso de Hegel e seu Idealismo. Para este a filosofia e a religião são na verdade facetas da mesma moeda, isto é tentativa de interpretação da divindade superior onde uma nega, a outra afirma, entretanto todas tentam explicar a mesma coisa. Nesta visão de tese, antíteses e síntese vive a metafísica na tentativa de entender este "espírito ou sujeito perpetuo" e universal.
Tal realidade – enquanto espírito afirma Hegel – possui uma vida independente da vontade humana, isto é, seu movimento independe desta vontade que cerca o homem, pois ela tem própria natureza, contem em si sua natureza transformadora característica de uma dialética gerada por contradição, que por sua vez da início a uma nova tese e essa levará a uma antítese fincando assim indefinidamente uma síntese. Como dito anteriormente Hegel restabelece a divindade – o idealismo – outrora destituído do poder por Kant. Esta metafísica hegeliana vem trazer de volta o espírito de um povo, ou melhor, traz de volta o absoluto para o pensamento filosófico.
Já Nietzsche, contrario a Hegel, chuta a sutileza kantiana pro lado e define logo, “ Deus esta morto”, com isto ele afirma, influenciado por Kant, que os valores são uma construção do homem, que é humano demasiadamente humano, e se há algo ou algum Ser Superior este encontra se vivo e presente lendo este texto, explico melhor: Nietzsche devolve a nós homens e mulheres o fardo da existência e nos lembra que não podemos negar o Übermensch (super homem) que existe em nós. Negar as coisas deste mundo – ideal asceta - é negar a nossa existência; e isto não era uma lógica aceita no pensamento nietzscheniano. Como vemos Nietzsche nega a metafísica, para ele a metafísica constitui-se da “vontade” presente neste homem; e nunca fora deste.
Se Deus morreu o céu metafísico também, então, o homem encontra-se sozinho para resolver seus problemas e tem de agarrar com unhas e dentes a sua “vontade”. Toda filosofia Nietzschiana gruda-se ao ceticismo/liinista para resolver sua problemática, com isso nega a transvalorização dos valores estabelecidos (Deus, lógica, fé, verdade, razão).
O niilismo aqui é a falta de uma resposta a pergunta que não quer calar “por que?” Nesta ausência de sentido, o ser humano encontra se perdido mas, é somente estando perdido que ele pode se encontrar, e esta busca da a ele segurança e significação de existência. Todavia o niilista mostra que não há onde chegar, uma finalidade absoluta inexiste, daí resta somente a busca ou a existência como alternativa da vida. neste sentido busca dar um futuro ao homem criticando a historia da filosofia como sendo uma historia de ilusões, pois se constituiu da negação do homem como homem e tentando construir um individuo fora de seu espaço, um homem metafísico fruto do ideário platônico fora do real.
Daí o início do meu “engatinhando”, tentamos dar lógica a algo que não faz a nossa lógica; a religião, com o seu religar-se a algo, e a filosofia com sua busca da sabedoria nunca podem dar respostas certeiras, pois a primeira é filha da inspiração, do sentimentalismo e a segunda filha da lógica, da razão histórica humana, ambas limitadas; tornado se impossível trazer uma verdade metafísica do por que? Este “algo” que esta além do nosso bem e mau, nunca – e quero aqui me dar ao luxo de ser cético – saberemos se existe um fim a tudo, ou mesmo uma finalidade, por um fato bem simples, se a lógica é uma construção histórica e humana ela jamais poderá ser utilizada para tentar explicar algo fora desta lógica.
Não afirmo nem que há, nem que não há caro leitor, um Ente; penso que isto não é tese para afirmar este barqueiro que iniciou suas aulas de remo a pouco em um pequeno e insignificante barco, a beber água pelas bordas, num oceano infindável da compreensão metafísica. Afirmo sim, a incapacidade da lógica humana em compreender este Ente.
Em sintese resta-me somente a sede de buscar grudada a uma necessidade de existência, nua e cristalina, a minha frente.

Ass: Antonio Henrique

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

PLATÃO E O FILME MATRIX





Pensar como Platão, esta seria a melhor forma de responder a pergunta: como Platão enxergava o mundo? A cosmologia chamada clássica foi apresentada por ele em seu livro Timaeus. O Ateniense acreditava que o Criador - o Ser eterno, incriado, atemporal, perfeito e incognoscível - havia feito o universo de acordo com um plano racional. Por este fato, o universo não seria eterno, pois havia sido criado e seria mutável. Neste ponto há uma consonância com Parmênides e Heráclito. O primeiro constrói a ideia de Ser (o Ser é ) e o segundo da a esse ideia dinâmica e mutabilidade (vir-a-ser). Longe de atingir toda complexibilidade da interpretação do Ser, queremos apenas mostrar as influencias sofridas por esse pensador grego/ateniense na tentativa de conciliar esses dois controversos pensadores.

Platão apresenta uma cosmologia que parte da distinção entre o mundo mutável do vir-a-ser e as "Formas" que existiriam de maneira eterna. Ele reconhece que qualquer especulação sobre o vir-a-ser do mundo não pode ser considerada verdadeira, mas isto por uma questão de princípio, e não por falta de evidência. Os problemas da física não podem ser resolvidos por métodos observacionais: tal atividade não passaria de mera "recreação".

A cosmologia do filosofo socrático envolve as Formas puras, as entidades particulares que são modeladas de acordo com as Formas, e uma teleologia, personificada por um demiurgo, o artesão divino, que impõe ordem à matéria moldando-a. Tal demiurgo não seria onipotente e nem teria criado o mundo.

Já na questão do conhecimento Platão parte do pressuposto que existem dois mundos. O primeiro é constituído por idéias eternas, invisíveis e dotadas de uma existência diferente das coisas concretas. O segundo é constituído por cópias das idéias (coisas sensíveis). Com base neste pressuposto afirmou que os sentidos estão permanentemente a enganar-nos. A verdadeira realidade não nos é dada pelos sentidos, mas só pode ser intuída através da razão, e está no mundo das idéias. Esta teoria das idéias surge em diálogos como Fédon, como um pressuposto aceito pelos vários interlocutores. O homem platônico vive em uma Matrix de sombras, longe do real, restando a ele aceitar ou questionar esta verdade implantada; entretanto somente filosofo - no filme Neo - poderá sair da caverna e questionar o mundo sensível, e buscar a verdade. Mais de uma coisa Platão nos adverte, aquele que escolher sair da caverna jamais poderá voltar, é uma ida sem volta.

A dialética para o filosofo de Atenas é a essência da filosofia; recai sobre o processo ela, a razão e a discussão, levando progressivamente à descoberta de importantes verdades e do esclarecimento.

Já quanto a Ética Platão, como Sócrates, combate o relativismo moral dos sofistas. Sócrates estava convencido que os conceitos morais se podiam estabelecer racionalmente mediante definições rigorosas. Estas definições seriam depois assumidas como valores morais de validade universal. Platão atribui a estes conceitos éticos-políticos o estatuto de Idéias (Justiça, Bondade, Bem, Beleza, etc), pressupondo destes logo que os mesmos são eternos e estão inscritos na alma de todos os homens. A sua validade é independente das opiniões que cada um tenha dos mesmos. Para Platão a Justiça consiste no perfeito ordenamento das 3 almas e das respectivas virtudes que lhe são próprias, guiadas sempre pela razão. A felicidade consiste neste equilíbrio.

Por fim na política os fundamentos do pensamento político de Platão, decorrem de uma correlação estrutural com as diferentes almas ou partes de uma mesma alma, criando uma organização social ideal (utópica). Para Platão, cada classe social devia apenas dedicar-se à sua função e virtude especifica, só quando isto acontece é que numa sociedade reina a harmonia e a felicidade.

A finalidade do Estado é educar os cidadãos na respectiva virtude, assegurando deste modo a sua felicidade.

Esta é a gnosiologia platônica, o modo como ele via mundo - A matrix - de onde caberá a nós escolher a pílula vermelha ou azul. O conhecimento ou a ignorância. Qual você escolhe?

Musicas