quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A GAMELEIRA


Catiti caminhava sufocada, cercada por grandes árvores, não sabia onde estava apenas seguia o trieiro embaixo de seus pés. Em sua mente a lembrança das ultimas palavras de Rudá Yamí. “Segue seu caminho, você não foi capaz de confiar em mim, não posso mais ficar com você; a partir de agora esta sozinha!” Em seus olhos o medo misturava-se ao desespero. Vivera um bom tempo ali, acostumara as coisas do mundo mágico, já tinha bons amigos, animais grandes ou pequenos, que freqüentavam aquele lugar buscando os carinhos da bela jovem. Tentou explicar, porém em vão, a voz sumira e junto com ela tudo começou a se desfazer como areia ao vento. A velha casa com suas antigas colunas foram se dissolvendo ao sabor do ar e repentinamente se encontrava em meio a um nada; com apenas a roupa do corpo, uma pequena estrada e a densa mata a sua frente.

Rudá! Eu ti verei de novo? Fala! Por favor. Grita apavorada a jovem, girando sobre o seu eixo, a olhar a copa das árvores, sem saber com quem falava.

Ninguem responde as pergunta de Catiti. Apenas o vento sopra sobre as folhas das árvores assoviando algo estranho.

Não obtendo resposta começou a caminhar, desfazendo das incistentes lagrimas, que escorria pelo seu rosto. O dia abraçava a noite que chegava a passos largos. Na mata densa tudo ficava escuro mais rápido ainda. Lembrou–se por um momento que estava com fome,porem o medo servia lhe de alimento, esquecendo logo em seguida. Apressou os passos, precisava descobrir uma clareira para passar a noite e depois procurar sua família que a anos não via. Imaginou estar fora de Emunah. Por um lado era bom, voltaria pra casa dos pais, pensava ela. Porém logo foi percebendo que aquele lugar, não era bem o mundo que abrigava a casa de seus pais, e nem Emunah. Tudo era diferente do que acostumara a ver nos últimos anos.

Seus passos cansados apressaram-se, precisava sair dali ou encontrar algum lugar adequado para passar a noite. Percebera logo que a floresta estava chegando ao fim. Avistou um limpo, ao longe, que com certeza era o fim daquela horripilante e triste floresta.

Aproximando-se da clareira começou a procurar algum recanto seguro para se esconder. No Local havia uma imponente, velha e assustadora árvore, a qual reinava absoluta em um espaço solitário e seco, cercado de árvores mortas, logo após, a densa floresta sumia com a visão. A assombrosa árvore, que era uma gameleira, de tão velha estava secando alguns galhos. Possuia ela um enorme tronco e deste grossos e grandes galhos saiam, é por sua vez, se desdobravam em outros menores e menores em uma infinitude magistral. Em suas profundas raízes o tempo desenhou formas de ondas que perfuravam a desavisada terra; esta por sua vez, enguinorava a possivel dor da sangria das finas e pontiagudas espadas. Por debaixo de seus galhos ninguém ousava permanecer, nem mesmo os mosquitos ou vaga-lumes por ali voavam. Na penumbra da noite tornava-se assombrosa e funesta. Afastando qualquer ser dela.

A linda jovem, desavisada e cansada de tanto andar, pensou logo em por ali albergar-se; subiria em um dos galos e pernoitaria na copa da grande árvores abrigando-se assim, de possíveis perigos noturnos. O sol já havia sumido, minutos antes, quando Catiti trepou nos galhos da velha e frondosa gameleira. Escolhera um galho grosso, próximo a ela, que saindo do troco forma-se uma “V”, onde Catiti acomodou-se como pode e dormiu logo.

A noite foi passando e logo à adormecida jovem iria descobrir o que a esperava. No céu as estrelas piscavam na densa escuridão, cada qual com um brilho diferente; negras nuvens cobriam e descobriam a insistente lua cheia a brilhar que nascia naquele instante. Então quando a lua rompeu clareando as folas da velha gameleira um barulho de um grotesco bocejo, que parecia vir da árvore, acordou a cansada Catiti.

Quem esta ai? Perguntou Catiti assustada.

Sois eu quem deveria fazer esta pergunta. Responde uma grossa voz saindo da velha árvore. Fazendo saltar ao chão a assustada jovem.

Sou Catiti. Quem é você?

Humm...! Conheço bem o teu nome. Teu nome a precede jovem moça. Vós sois a protegida de Yamí o grande. Quanto a pergunta que tu me fizestes; possuo vários nomes, entretanto podeis me chamar de Umuiná. Falava lenta e assombrosa a gameleira.

Como sabe o meu nome?

O vento... Minha jovem! O vento traz todas as questões e leva todas as respostas deste mundo. Em suas costas viajam o saber. Eu aqui fincada neste chão amaldiçoado, luto com ele, em uma guerra inútil para ambos. Por enquanto eu tenho vencido as batalhas, mas sei que um dia chegará que vou perder a guerra. Fixa aqui eu sei de tudo, meus galhos amparam muitos ventos, e por anos e anos tenho penetrado todos os segredos deste mundo. Sou tão velha quanto Emunah. Sei a porta de varias entradas, e quase todas as saída. Sei como tu aqui chegaste e como viestes. Afirma a árvore com ar malicioso e indulgente, como quem queria algo para si.

Se assim é, também deve saber como eu faço para falar com ele, ou mesmo, vê-lo?

Sim, sei bem como; minha ansiosa jovem!

Então me diga, por favor.

Respostas... Todos as querem, no entanto saibas que cada uma tem um valor. Na vida tudo tem um preço, e o grande mau dos homens, minha jovem; vou lhe dizer agora, esta em deixar o desespero os precederem. Sabeis que a causa eu poderei lhe dizer, bela jovem, entretanto, cada resposta terá um preço. Estais preparada para ouvir?

Diga-me, por favor, farei o que for preciso. O que devo fazer? Insiste Catiti.

Perguntas... Cuidado com elas moça, pois para elas, sempre haverá uma resposta. Estais bem! Sabeis que se vos responderdes quererás ir até o fim? Custando o preço que fordes?

Sim. Responde enfaticamente a moça.

Que bom, minha aflita jovem, que assim seja. O vento balançou em minhas folhas que tu o traíste. Começa a contar velha e esperta arvore, sem saber o que esperava a desavisada Catiti.

Mas! Mas! O traí; como?...Interrompe Catiti.

Sabeis esperar jovem moça, tua fadiga lhe atrapalha. Falava a Gameleira balançando os velhos galhos que mais parecia cabelos esvoaçados, com seu rosto e boca pregada em um caule enrugado e enorme donde saia um toco de galho cortado, da parte central, dando aparência de um nariz, dividindo os olhos da boca.

Yamí destes-lhes de tudo, exigindo apenas confiança. Mas vós ignorais o fato. Mesmo sabendo ser ele encantado por uma maldição, e que esta, não o permitia que a visse, na forma de homem, podendo somente ter com vós na forma de uma ave. Tua curiosidade em conhece-lo os levou a perdição, fazendo recais sobre você também a maldição de vagar por este mundo infinitos anos; e sobre ele, o fardo de lhe perder novamente.

Mas o que eu fiz? Perder novamente, como assim? Retrucava a agoniada moça.

Calma! Minha jovem; lembrais do trato? Vós tereis que pagar as respostas.

Muito bem, qual é o preço? Pergunta Catiti.

Serão três atos apenas; e eu responderes em cada ato seu, uma pergunta.

Quais serão estes atos? Insiste a jovem.

O primeiro constitui-se de encontrar Danaides filha de Bashiri Rei dos Namby; a menina sofre com um feitiço e esta morrendo. Sua missão é salvá-la.

Mais como vou salvá-la? Como faço para achá-la? Pergunta preocupada Catiti.

Pois bem, lhe darei o antídoto que salvará a moça. Enquanto fala meche em sua copa fazendo aparecer um galho em forma de braço e no final dele uma mão com longos dedos, cheios de folhas, esticados que encaminha em direção a Catiti. Ela por sua vez detém os instintos de pegar, algo que nem sabia o que seria, permanecendo imóvel.

Estais com medo...!? Pergunta a maliciosa Umuiná.

Eu não tenho medo! Afirma enfática a jovem procurando esconder o sentimento tão visível.

Toma, apanhe êstes brotos meus, são mágicos, fareis com eles um chá e dará a princesa, durante três dias ao nascer do sol. Lembra-te de uma coisa terás de dá-los interruptamente e ao final dos dias Tereis que roubardes algo dela, e me trazerdes.

O que você quer? Perguntas Catiti com ar de desgosto, não querendo seguir com o trato.

Ela possui uma bezerra mágica, traga-a para mim. Lembra-te não podes dizer de onde sois e nem quem a mandou. Muito bem. É somente isto. Podes ir e boa sorte. Falando isso a fisionomia do rosto enrugado da gameleira some na casca grossa e um frio enorme cerca Catiti.

E se eu não quiser fazer isso? Retorquiu a moça.

Se vós não fizerdes isso, nunca saberá o que houve com o Yami, e sem ele vós nunca voltareis a tua terra e estarás presa a este mundo para sempre.

Esta bem! Farei como você quiser. Mas como faço para achar êste reino?

É só voltardes pelo trieiro, no final dele hei de encontrardes o Reino de Namby. Lembre-te jovem moça, caminhe somente durante o dia na floresta, nunca durante a noite. Finaliza a sagas gameleira.

Catiti coloca no bolso do velho e rasgado vertido branco os brotos. Resolveu esperar amanhecer ali mesmo, seguiria o conselho da árvore, estava tétrica de medo transbordante de dúvida. E não demorou muito o sol nasceu no avermelhado horizonte.

Texto: Antonio Henrique
Ilustração: Santiago Régis http://santiagoregis.blogspot.com/
Projeto organizado para o curso, Artes Plásticas da Universidade Federal de Goiás

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DÚVIDA, COGITO E MÉTODO



Bom para início de conversa em Descartes encontramos um ceticismo diferente, uma espécie e ceticismo desconfiado que busca acreditar, analisando todo que cerca o homem de seu tempo; um salvador de algo de perpétuo em um mundo cercado de negações em que vivia descartes, precisava que um que duvidasse mas todavia encontrasse nesta dúvida algo sólido e real. Com isso Descartes pretende criar uma nova ciência e para alcançar seus objetivos ele constrói um método- maneira- para que as coisas ou teses sejam comprovadas de modo que ninguém possa refutá-las.
Partindo dessa premissa ele lança mão da dúvida como principio buscando através de seu método duvidar para compreender. Diante disto Descartes se apega a cogito estruturada pelo Método para construção do conhecer moderno.
E é neste conhecer moderno que obtemos o cogito, o “EU” como sinônimo de minha existência, o existir a partir do meu pensamento, o diferenciar que faz do homem um ser humano por excelência e não pela sua simples existência. O viver não faz do homem um ser humano, ele precisa da razão para isto no pensamento cartesiano.
Então como vemos no pensamento do filósofo Francês a razão é a finalidade da existência, pois somente ela faz o homem existir. Explico melhor: se eu não pensar no mundo que me cerca, e nas ações que decorrem dele, eu não existo como ente e sim como uma coisa que anda e consome desesperadamente, não passo de um animal faminto e famigerado, sem razão de ser. Então é pela razão que eu me diferencio e é somente através da dúvida – cogito – analisada e peneirada pelo método que eu encontro a ‘verdade’ velada, a existência em si. Eu sou um ser que existe por que penso.
O resultado desta tríade é o conhecer verdadeiro segundo Descartes, pois, é somente com essa tríade – duvida, cogito, método = conhecimento “verdadeiro” – que obteremos o conhecimento ou a ciência moderna sem os ídolos que a permeiam.
Att: Antonio Henrique Rosa

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