sexta-feira, 18 de junho de 2010


 O mundo fica mais pobre de conciência com a morte de Saramago
Pensar, pensar
Junho 18, 2010 por Fundação José Saramago

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

terça-feira, 15 de junho de 2010

ARTE CIMENTO NA ALEMANHA



A arte é capaz de promover a revolução? Qual seria o papel da arte numa revolução? Analisando o processo histórico Alemão vemos que ocorreu, durante o século XIX em particular, uma “revolução silenciosa” tendo a arte como carro chefe. Muito embora a arte não possua poder para uma transformação radical, política e assim criar um estado, como o Estado Alemão, podemos dizer que ela se tornou naquele século o grito de um país que queria nascer onde quase não havia espaço ou possibilidades para isto.

A Arte foi a voz utilizada, por nacionalistas como Winckelmann, Goethe, Wagner e outros, todos burgueses de plantão, diga-se de passagem, do fragmentado espaço germânico na Europa. Naquela altura o "Zollverein" unia pequenos estados germânicos formando uma aliança aduaneira entorno da Prússia na esperança de concorrer com os grandes, ampliando assim seus mercados. A estética representava a chave que possibilitaria abrir o cofre do ego germânico à vontade de se unir em um estado unificado. Formando assim um Estado nação, que pudesse concorrer com as potências, Inglaterra e França, já há anos unificadas por revoluções políticas. No seio da elite germânica estava a vontade de união, mas faltava algo que amplificasse este grito contido das elites.  Precisava de uma melodia harmoniosa que se fizesse aos ouvidos do povo. Incluso neste estava o nascente proletariado filho da já avançada revolução industrial naquela região. É neste contesto a arte entra na historia como cimento ideológico unindo e dando forma a algo ainda disforme.

 A Arte não é capaz de promover uma revolução por si só. Ela não possui armas e nem meios físicos  para isto, todavia, ela é capaz de fomentar sonhos. Neste sentido, e no caso alemão particularmente, a arte foi o meio ideológico que se fez veículos da burguesia ansiosa por uma adesão para ganho e lucros ainda maiores. Não podemos deixar de falar da cultura e nos símbolos que eram comuns entre germânicos. Este fato possibilitou uma ressonância maior da arte, como ideologia unificante.  

A Estética foi um veiculo ideológico pesado, crescendo em todas as direções, formando uma “consciência nacional”, um sentido de irmandade, onde antes não havia, para a ascensão do Estado Alemão. Dando sentido a algo que não possuía sentido. Ela foi capar de acalentar idéias no ego de um povo outrora dividido. Ecoando o grito Alemanha por toda “raivosa” Europa.

Antonio Henrique Rosa

Musicas