A arte é capaz de promover a revolução? Qual seria o papel da arte numa revolução? Analisando o processo histórico Alemão vemos que ocorreu, durante o século XIX em particular, uma “revolução silenciosa” tendo a arte como carro chefe. Muito embora a arte não possua poder para uma transformação radical, política e assim criar um estado, como o Estado Alemão, podemos dizer que ela se tornou naquele século o grito de um país que queria nascer onde quase não havia espaço ou possibilidades para isto.
A Arte foi a voz utilizada, por nacionalistas como Winckelmann, Goethe, Wagner e outros, todos burgueses de plantão, diga-se de passagem, do fragmentado espaço germânico na Europa. Naquela altura o "Zollverein" unia pequenos estados germânicos formando uma aliança aduaneira entorno da Prússia na esperança de concorrer com os grandes, ampliando assim seus mercados. A estética representava a chave que possibilitaria abrir o cofre do ego germânico à vontade de se unir em um estado unificado. Formando assim um Estado nação, que pudesse concorrer com as potências, Inglaterra e França, já há anos unificadas por revoluções políticas. No seio da elite germânica estava a vontade de união, mas faltava algo que amplificasse este grito contido das elites. Precisava de uma melodia harmoniosa que se fizesse aos ouvidos do povo. Incluso neste estava o nascente proletariado filho da já avançada revolução industrial naquela região. É neste contesto a arte entra na historia como cimento ideológico unindo e dando forma a algo ainda disforme.
A Arte não é capaz de promover uma revolução por si só. Ela não possui armas e nem meios físicos para isto, todavia, ela é capaz de fomentar sonhos. Neste sentido, e no caso alemão particularmente, a arte foi o meio ideológico que se fez veículos da burguesia ansiosa por uma adesão para ganho e lucros ainda maiores. Não podemos deixar de falar da cultura e nos símbolos que eram comuns entre germânicos. Este fato possibilitou uma ressonância maior da arte, como ideologia unificante.
A Estética foi um veiculo ideológico pesado, crescendo em todas as direções, formando uma “consciência nacional”, um sentido de irmandade, onde antes não havia, para a ascensão do Estado Alemão. Dando sentido a algo que não possuía sentido. Ela foi capar de acalentar idéias no ego de um povo outrora dividido. Ecoando o grito Alemanha por toda “raivosa” Europa.
Antonio Henrique Rosa
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