sábado, 16 de abril de 2016

HISTÓRIA DE PONTALINA: “O DIVISOR DE ÁGUAS”


2.1 OS ESPAÇOS E SUAS ESTRUTURAS


“O DIVISOR DE ÁGUAS”





O Prédio de Câmara e Cadeia Pública Municipal mostram bem o divisor de águas da história local. Quando foi executada a obra, houve motivos bem definidos: dar condições a uma futura Câmara que se instalaria no município, o qual já contava com a lei de criação desde 1875, pela resolução 543 de 29 de junho, mas que até a presente data da época, por volta de 1930,não tinha desmembrado do município de Morrinhos.

Quando observamos a estrutura e arquitetura do prédio, temos a noção de quanto o lugar era isolado, com o prédio contendo as mesmas características de construções do Período Colonial (fachadas rústicas, madeira lavrada simples e fachada colonial de abobe), idênticos aos prédios das Casas de Câmara e Cadeia de Santa Cruz, Morrinhos e Pirinópolis.

Como citada anteriormente, Santa Rita do Pontal está membrada em primeiro plano a Santa Cruz de Goiás e após a criação da Vila de Morrinhos passa a fazer parte desta.

O engajamento e planos de alguns membros da comunidade local, para trazer à tona o município, eram evidentes. O pano de fundo dos interesses era em sua maioria a da valorização de suas propriedades e com intuito deste houve a construção para futura emancipação. Com a erguida do prédio da Câmara e Cadeia criavam-se no local ideias de independência municipal e desenvolvimento (lei e política, ordem e progresso). Mesmo que esse fosse de estilo arquitetônico anterior, evidenciando assim o isolamento local que se fazia presente praticamente em três áreas: política, social e religiosa.

Na política: encontrava-se isolada sem organizações partidárias propriamente ditas (partidos políticos) possuindo apenas grupos de interesses definidos e sem expressão dentro do Estado, ligados em sua maioria a elite Morrinhece e essa característica era como um todo no Estado, onde cada município mais forte sugava a oligarquia periférica e sem participação na política nacional, cabendo ao coronelismo local o poder decisivo e institucional. 
Sociedade: mantida por regras de patriarcado, em que o pai, “HOMEM DE PALAVRA”, mantinha seu poderio, deixava mulher e filhos à mercê das relações sociais, sem participação nestas, muitas vezes devido ao atraso cultural proveniente da escassez educacional. 
Religioso: o isolamento religioso faz nascer novos centros de peregrinação e, com isso, surgem novos aglomerados de casa. Sendo assim, com o fã religioso montam-se festas de mesmo cunho. Este fato melhora as relações sociais, dinamiza o intercâmbio e impulsiona as crenças locais. Esse isolamento impulsiona a instituição da construção de espaços necessários à localidade, como é o caso da “cadeia pública municipal”. Pode-se observar que esta era de grande valia e que desde então Santa Rita do Pontal poderá ser comparada a uma vila, mesmo estando membrada a outra(Morrinhos). Esse fato trouxe contribuição ideológica para o movimento, visto que dois anos após o término da construção do prédio, que ocorreu em 1932, o interventor Pedro Ludovico cria o município pelo decreto-lei n° 329, em 04 Agosto de 1935. Esse fato não é um fato isolado, pois sofrera influências da política ludovicana de desenvolvimento.
A política de Pedro Ludovico consistia, sobretudo, em desestruturar as oligarquias locais e dar novos rumos a Goiás, desenvolvendo-o. A transformação decorrente dos anos 30 não se fez necessariamente no campo social, e sim no político. Pedro Ludovico propôs, como o objetivo principal o desenvolvimento do Estado, construir uma nova capital e com isso abrir novas vias de acesso a Goiânia, interligando os novos e antigos municípios ao Estado, fazendo escoar a produção e desenvolvendo-o. Política que já vinha sendo iniciada desde o início do século com a construção da estrada de ferro até Ipameri.
Existem histórias em torno da construção da “cadeia” (como é chamada), mas são histórias de rixas locais entre famílias influentes e que não denotam a real intenção da construção nem sua importância histórica para o local.

As reuniões para a criação do município, no início, não eram realizadas no espaço da Câmara e Cadeia, e sim em Morrinhos. Delas saíram as diretrizes do processo de emancipação. As despesas para a criação do município ficou a cargo do Sr. Onofre Gonçalves de Andrade, visto que era a pessoa mais capacitada economicamente para isso na localidade. Foram gastos, como consta no primeiro protocolo da prefeitura municipal de Santa Rita do Pontal, instituída em 01/01/1936, pelo decreto-lei 329,de 02 de agosto de 1935, um custo total de 2.160$500 (dois contos e cento e sessenta mil e quinhentos reis) que se faz presente no protocolo n°1 da secretaria da prefeitura de Santa Rita do Pontal p.19 de 17 de março de 1936.
Portanto, a vila foi solenemente instalada em 1º de janeiro de 1936, com o nome de Vila de Santa Rita do Pontal. Na época, foi realizada uma grande festa para inauguração desta, como narra a quitação da despesa no protocolo de n°1 da secretaria da prefeitura de Santa Rita do Pontal p46 de 29 de abril de1936.


                                   Protocolo I da Secretaria da Prefeitura de Santa Rita do Pontal. p 46, 1936, sobre                                          despesas  com a inauguração da Vila (festa); mercadorias ao Grupo Escolar Santa                                      Rita do Pontal e pagamento de alisamento e limpeza das ruas  Secretaria da Prefeitura                                   de Santa Rita do Pontal, em 29 de Abril de 1936.

Continuação.

Nesta data o Sr Prefeito Municipal expede portaria n° 23. Autorizando ao Sr Tesoureiro Municipal a efetuar o pagamento do Srs Souza Reis Comp. da importância de 1.091,500 (Réis) proveniente de mercadorias fornecidas por ocasião da inauguração da Vila, debitando no título (dívidas públicas e canções) despesas com inauguração da Vila, colha recibo para arquivo.
Nesta data Sr Prefeito expede portaria n° 24, autorizando o Sr Tesoureiro Municipal a efetuar o pagamento de 18,500 (Réis), aos Srs Souza Reis Comp. por mercadorias fornecidas ao grupo escolar municipal lançando-se no título (Expediente do Grupo Escolar ....
Nesta data Sr Prefeito Municipal expede portaria n° 25, autorizando ao Senhor Tesoureiro Municipal retirar do título Obras Necessárias imprevistas a importância de 182,000 (Réis) para pagamento das despesas feitas com alinhamento e limpeza das ruas, a colocação de mancos conf. folha de pagamento apresentada pelo fiscal municipal.


Na época o município contava com uma área de 50 mil alqueires e com um número de 15 mil habitantes, como registra o protocolo da secretaria da prefeitura de n°1 p84 de 24 de junho de 1936. Não se sabe a veracidade dos dados, pois a prefeitura não contava com uma estrutura para informação de dados deste porte, todavia estes são dados oficiais que nos remetem a algumas sérias indagações. No entanto, os dados estão presentes para serem discutidos pelos próximos pesquisadores.

Em 31 de outubro de 1938, pelo Decreto-lei nº 1233, a Vila de Santa Rita do Pontal foi elevada à categoria de cidade, com a denominação de Pontalina. Até a promulgação de nossa constituição Estadual, em 1947, Pontalina era termo da comarca de Morrinhos, da qual se desmembrou por força do artigo 8º do Ato das Disposições transitórias.

A geografia na qual está localizada a cidade evidencia que o nome pontal, de onde deriva Pontalina, não vem da divisão do município pelos rios Meia ponte e Rio dos Bois (como muitas pessoas da localidade sugerem que seja), mas sim pela geografia da cidade, a qual é circundada em três partes pelos córregos: “Lava-pé”, situado a oeste da cidade; “Lavador” ou “Rol-Bosta”, a leste e “Mateiro”, a sul da cidade. Sendo assim, cria-se uma ponta de terras cercada pelas águas destes córregos. Neste local foi construída a capela, e devido ser este um pontal dá-se o nome de CAPELA SANTA RITA DO PONTAL, pois quando surgiu a capela e o arraial, não havia intenção de criar um município circundado por rios e nem ideia de que esse arraial iria, um dia, tornar-se cidade.

Protocolo I da Secretaria da Prefeitura de Santa Rita do Pontal. p185,186 e187,de1937 sobre limites do município em 1937

Nesta data o Sr Prefeito Municipal, por oficio de n°(não existia numero) marginado responde ao Sr Dr Oscar Campos Junior, [...] Diretor Geral da Fazenda o seguinte: Ilmo Sr respondo a vossa circular n° 9 do passado mês, o seguinte: a) só existe neste município um auto-caminhão para condução de carga etc. b) não existe aqui alugadores de animais e quando o Delegado de Policia tem de fazer diligências toma emprestado ou aluga a razão de 5.000 (Réis) diários por cada animal. c) a distância daqui a Morrinhos é de 72 Khms e a Atolador é de 36. O correio é feito de oito em oito dias à Morrinhos em animais. Aproveito do ensejo para apresentar-vos os protestos de auto estima , consideração e solidariedade. Onofre G. de Andrade. Prefeito Municipal.


... acompanha o mesmo, a descripção aproximada dos limites deste município onde se vê que os limites entre este e o de Bananeiras [Goiatuba] é bastante confuso porquanto antigamente estes limites eram pelos perymetros da fazenda de São João e que posteriormente a entendencia miridou-os pelos ribeirão da Onça separando da mesma fazenda cerca de 600 alqueires e que muito tem contribuído para que os habitantes deste pedaço separado se vejam em serias dificuldades para pagamentos de seus impostos, sendo preciso vencerem longas distâncias para este fim. Reitero os protestos de consideração e solidariedade. 

Limites do município de Santa Rita do Pontal começa em uma ponte que existe no rio meia ponte onde atravessa a linha telegráfica por esta continuando com o distrito de S. Sebastião do Atolador [Cromínia], município de Pouso Alto [Piracanjuba], em uma extensão de oito e meia léguas até o rio dos bois, seguindo por este abaixo com a extensão de vinte e cinco léguas mais ou menos limitando com o município de Palmeiras até bacia do córrego denominado Sucuri, subindo por este até sua cabeceira e dali em rumo a cabeceira do córrego Bom Sucesso, por este acima até aproximar-se a cabeceira do córrego Olhos D’água por este abaixo até a barra do córrego fundo, por este a baixo até a barra do córrego Ressaca por este acima até a sua cabeceira e deste por uma estrada que se dirige ao córrego da onça, e por esta abaixo até a bacia com o rio Meia Ponte, limitando com o município de Bananeiras (Goiatuba), numa extensão aproximada de 18 léguas seguindo o rio Meia Ponte acima até onde teve começo o limite do município, limitando da bacia da onça até a ponte, com o município de Morrinhos uma extensão de 10 léguas em rumo e vinte ditas pelas sinuosidades do referido rio isto aproximadamente. Onofre G. de Andrade. Prefeito municipal. Protocolo I da Secretaria da Prefeitura de Santa Rita do Pontal. p 185, 186 e 187, de 1937 sobre limites do município em 1937.

Texto de autoria: Antonio Henrique Rosa 

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