sábado, 16 de abril de 2016

HISTÓRIA DE PONTALINA: SANTA RITA DO PONTAL E O DESFECHO DA HISTÓRIA

II - SANTA RITA DO PONTAL:

O DESFECHO DA HISTÓRIA

Santa Rita do Pontal na década de 30

  

“Eu lembro disso aqui, isso aqui tinha umas 60 casas”. (João do Vico, cidadão pontalinense com 87 anos, se referindo a décadas de 20 e 30 em entrevista realizada em 2000)

 A exemplo da grande maioria dos municípios da região Sul de Goiás, Santa Rita do Pontal (Pontalina) tem origens em manifestações religiosas e econômicas. Contudo, acreditar que somente as necessidades religiosas e econômicas, desse povo, motivou seu surgimento no início do século XIX seria precipitado pois, havia o interesse político, quando as autoridades goianas passaram a se preocupar com o sul de Goiás.

O povoamento e a formação dos primeiros núcleos urbanos em Goiás deveram-se principalmente à procura e à exploração de ouro. A decadência, iniciada no século dezoito, e a necessária mudança de atividade econômica da então Capitania, vão levar a população a se ruralizar e a dedicar às atividades agro-postoris [...] “No que se refere à ocupação do território goiano, assim se exprime Palacin: “A decadência da mineração pôs em evidência o que a riqueza do ouro mantivera encoberto até então: o povoamento de Goiás tinha-se antecipado século e meio ou dois séculos ao processo natural de penetração para o interior.” [...] “Assim, a exploração das minas de ouro levou para Goiás um contingente populacional que de outra forma para ali não iria. Contudo, a proximidade com diferentes regiões do País e a existência de vasta área a ser ocupada, fizeram de Goiás uma frente pioneira de migração, a partir da decadência da mineração em Minas Gerais. A região compreendida pelo triângulo mineiro e sul de Goiás recebeu, paulatinamente, um considerável número de mineradores.” (Campos, 1987, p.36)

Antes deste fluxo populacional a região sul de Goiás ficara isolada de povoamento. com pequenos núcleos extrativistas no centro e no norte e grandes extensões sem povoação branca nas demais partes. Muitos fatores contribuíram para tal características, entre eles podemos citar a falta de incentivo por parte do governo tanto da Província quanto do Império e a escassez de verbas por parte da elite provincial interessada quase exclusivamente no ciclo aurio e desconsiderando demais possibilidades econômicas que pudessem via a ser no  Estado idealmente extrativista.  Essa forma de economia Colonial estava enfrentando sérias de dificuldades financeiras já no final do século XVIII, já que findavam o ciclo do ouro e as terras dos “Goya” e eles precisavam se reinventar ir em busca de novas atividades econômicas. Entretanto essa necessidade demudança ma matriz econômica estatal levou a migrar populações integrando partes do estado antes adormecidas. 
Na região de Santa Rita do Pontal a inexistência do metal dourado retardou seu aglomeramento populacional fazendo-o a vir existir somente após a chegada do ciclo pecuário  no início do século XIX.

Entre os anos de 1826 a 1841 foram aparecendo ranchos de palha com demarcações de propriedades pouco definidas, distantes uns dos outros, que davam-se os nomes de Quinhões. Esses  ditos “quinhões” de propriedades surgiram em sistemas de gotejamento, pouco a pouco, dando origem às futuras fazendas denominadas hoje de: 
São Lourenço, de propriedade do Sr. Justiniano José Machado e D. Felicidade Alves de Rezende; 
Paraíso, de propriedade do Sr. João Xavier Ferro; 
São João, de propriedade do Sr. Francisco Dutra Pereira; 
São Bento, de propriedade do Sr. Justo José de Magalhães.

Nestes quinhoes, os maiores e mais expressivos córregos, antes nomeados por vocábulo cristão católico agora nomeá também as propriedades dando uma ideia da dimensão das primeiras propriedades. As causas que deram origem as propriedades e ao aglomerado urbano foram basicamente as mesmas e exerceram grande influência nas ondas migratórias. Todos esse fatores encontrassem intimamente ligados aos fatores econômicos e sociais ocorridos no final do seculo XVIII na capitania de Minas Gerais levou a população a subirem em busca de um sonho de prosperidade. Aos poucos esse sonho ganhou forma e força impulsionado pelo fermento da pecuária trazendo para as terras de Santa Rita grupos de pessoas católicas que por força religiosa começaram a se organizar em torno da Capela que na época não passava de um grande rancho de palha feito para rezar terços.   

A doação do terreno em volta da Capela - Rancho foi realizada no dia 3 de maio de 1841 como cita a escritura, registrada no registro de imóveis de Morrinhos, Lv. 3-A, à fl. 99, sob o nº 1.070, evidenciada também no Registro Geral de Imóveis da comarca de Pontalina “Cartório do 1º Ofício”.


Houve contradições quanto a essa doação de terras efetuada ao patrimônio de Santa Rita do Pontal consequentemente à Igreja Católica Apostólica Romana. Uma vez que a escritura firmada em cartório afirma que o terreno de doação original contém uma lavra de 200 alqueires tendo como donatário o Sr. Justiniano José Machado e sua esposa, D. Felicidade Alves de Rezende. Esse terreno era às voltas da capela erguida nas terras da fazenda São Lourenço. Capela essa que posteriormente foi homenagem à Santa Rita.


“... há uma igreja muito velha e pequena de três naves separadas com colunas de aroeira lavrada sem forro. O presbítero é assoalhado e forrado e contém um altar de madeira. Possui a capela uma sacristia pequena. As alfaias e paramentos que são poucos, são guardados por uma família de bom nome, que zela da igreja, escolhida por meu antecessor Padre Nestor Arzola Cavalcante Maranhão, vigário de Buriti Alegre à quem a capela de Pontalina esteve adida nestes últimos dois anos. Em a nave principal há uns dez bancos pobres e velhos. Um sino colocado na parte de cima da fachada da igreja, está ainda bem conservado. Atrás da igreja (matriz) no mesmo quarteirão, dando costas para a mesma, estão os alicerces da nova matriz. Foi ela começada no ano de mil novecentos e quarenta e nove, sendo então vigário de Morrinhos a quem pertencia a capela de Santa Rita, o Resmo. Pe. Osvaldo Basellato. Na parte rural existem três capelas a saber: Nossa Senhora da Guia, da localidade de Dois Irmãos, São Vicente de Paulo de Vicentinópolis, e uma na cidade de Aloândia. Todas elas se acham ligadas a Pontalina por estradas municipais, onde transitam automóveis. ...” (Livro Tombo da Paróquia Santa Rita de Cássia em Pontalina escrita em 30 de julho de 1954 pelo Padre Ângelo

Dall’Ara – Vigário)


Sendo assim, moradores locais citam que o Sr. Justo José Magalhães, tendo membros de sua família em estado enfermo, teria feito uma promessa a Santa Rita, a qual teria lhe ouvido. Segundos contam esse fato levou-o a doar as terras a Santa, mas como as terras pertencentes a ele não eram de localidade onde estava erguida a capela, resolveram então fazer uma permuta com o Sr. Justiniano José Machado, proprietário das terras onde estava erguida a capela.


“... A doação do terreno foi feita pelo Justo José Magalhães, que devido suas terras serem acidentadas, fez permuta com Justiniano José Machado e doou terras na fazenda São Lourenço para a Santa . . .” (entrevista feita com D. Maria José Pereira em 19/05/2000 hoje com 83 anos, moradora da cidade de Pontalina)


Tudo faz crer que o espirito religioso daquele povo fundamentou a doação da capela sendo erguida para suprir este sentimento místico-religioso, entre 1826-1841. Esse fato da “permutagem” faz criar um dilema na história que não será de fácil resolução, quem seria o doador?
  
A promessa era do Sr. Justo José Magalhães e as terras doadas do Sr. Justiniano José Machado. Moradores antigos argumenta que devido a fatores econômicos e geográficos (as terras pertencentes ao Sr. Justo José Magalhães estavam situadas na região hoje chamada São João, região muito acidentada) e, para evitar burocracia, a doação foi feita diretamente. O Sr. Justiniano José Machado teria transferido as terras diretamente ao patrimônio de Santa Rita e o Sr. Justo José Magalhães teria permutado terras na fazenda São João em troca da doação das terras da fazenda São Lourenço.

Durante todo o século XIX e início do XX, Santa Rita do Pontal viu-se expandindo paulatinamente. A distância do arraial com a vila bela de Morrinhos, o espírito místico e o poder que sempre foi monopolizado por poucos, fez-se naquele momento a evidência histórica, pois uma vez edificada a capela e as terras doadas à Igreja, começou-se o aglomerado de casas em torno da mesma.

“O arraial de Santa Rita do Pontal teve um crescimento gradativo e contínuo, consolidando-se como um significado aglomerado humano, economicamente estável. O desenvolvimento da Vila de Santa Rita do Pontal, que aquela altura já desfrutava de certa importância política, originou a Resolução nº 534, de 29 de julho de 1875, elevando-a à categoria de Distrito, de Vila Bela de Morrinhos. 60 anos se passaram e o Distrito de Santa Rita do Pontal continuou crescendo e ganhando importância econômica e política. Nesse período, à partir de 1922, o Brasil viveu conturbados momentos, experimentando movimentos revolucionários que culminaram com a Revolução de 1930 que levou o caudilho gaúcho Getúlio Vargas ao poder. Como é natural, o Estado de Goiás também sofreu as conseqüências dessas convulsões históricas. No governo do Estado se encontrava, vindo no bojo da Revolução de 30, o Dr. Pedro Ludovico Teixeira (médico) que, em 02 de agosto de 1935 baixou o Decreto-Lei nº 329, publicado no Correio Oficial do dia 04 do mesmo mês, elevando o Distrito de Santa Rita do Pontal à categoria de municípioDia 17 de dezembro de 1935, o Governador Pedro Ludovico Teixeira baixou o Decreto-Lei nº 497, nomeando o primeiro Prefeito Municipal e os componentes da primeira Câmara de Vereadores do município de Santa Rita do Pontal, que foram empossados dis 1º de janeiro de 1936, quando se instalou oficialmente o município.” (Reis, Tupynamba dos. NHB. Produções Ltda. Comércio 


Em 31 de outubro de 1938, pelo Decreto-lei nº1233, a Vila de Santa Rita do Pontal foi elevada à categoria de cidade com a denominação de Pontalina, nome porque passou a ser identificado todo o município.


Até a promulgação de nossa Constituição Estadual, em 1947, Pontalina era termo da Comarca de Morrinhos, da qual se desmembrou por força do artigo 8º do Ato das disposições constitucionais transitórias.

Em épocas festivas vinham-se padres, pois não havia vigários fixos na capela, a população aproveitava para promoverem os casamentos, batizados e outras manifestações religiosas. Uma vez que era muito difícil a vinda para o arraial, devido a ausência de estradas e à travessia do Rio Meia Ponte. Tais fatos isolantes fizeram com que a capela fosse cada vez mais requisitada e a aglomeração em torno fosse aumentando, mediante o estabelecimento de aforamento pago, ou não, à Igreja Católica pelos lotes ao entorno foi sendo erguida a ideia de cidade. Sendo assim, casas e povoação tomaram vulto.

Nenhum elemento estrangeiro teve grande parcela de contribuição para o povoamento do município, a não ser bandos errantes de ciganos, um ou outro sírio ou italiano de curta presença. Cabendo somente aos "Pontalineses de pês rachados" o caminhar histórico. 

As décadas do seculo XIX foram se findando e a região ganhando apoio e aspecto de vila, mas isso iria acontecer com maior força nas décadas iniciais do século XX quando o arraial de antes, agora se torna vila, continuando ainda submissa à Vila Bela de Morrinhos. 

Texto de autoria: Antonio Henrique Rosa 

Nenhum comentário:

Musicas